Com Giannetti, sintonia sobre macroeconomia

Nos debates periódicos com o economista, Marina concorda com o tripé câmbio flutuante, superávit e BC autônomo

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2013 | 02h09

O economista Eduardo Giannetti participa de reuniões periódicas com a provável candidata Marina Silva. Defende - e ela costuma concordar - que o Brasil precisa adotar uma economia de mercado sem prescindir de políticas sociais vigorosas. "Em vez de focar no BNDES, que hoje é muito agressivo, pouco transparente e atende a grupos privados que poderiam se financiar de outra maneira, deveria fazer foco em capital humano, saneamento, saúde, educação fundamental", opinou Giannetti.

Há também sintonia entre os dois sobre o cenário macroeconômico. "Não dá para inventar muito, é preciso se concentrar no tripé superávit, câmbio flutuante e independência do Banco Central", pregou.

Educação. Nas constantes reuniões com intelectuais e prováveis colaboradores de campanha eleitoral, Marina costuma comentar que a contribuição ao Brasil do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi a estabilidade econômica e a do ex-presidente Lula (PT), a inclusão social. Ela trabalharia para que seu legado fosse a educação. É sobre esse assunto que Marina se aconselha com a pedagoga Maria Alice Setúbal, herdeira do banco Itaú e fundadora do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação (Cenpec).

Neca, como é conhecida, defende a educação em período integral e a justiça social no setor. Ela explica: "Não haverá boa educação se persistirem diferenças de qualidade no ensino entre a escola do interior e a dos grandes centros, ou a da periferia comparada à do bairro bom".

Na semana passada, o grupo se reuniu para falar sobre os royalties do petróleo. Concluíram ser populista e pouco eficiente o modelo aprovado pelos parlamentares. Defendem a criação de um fundo soberano para financiar integralmente a educação.

Mobilidade urbana. Pensando em políticas de médio e longo prazos, os conselheiros de Marina criticam a política atual de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros e da Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico (Cide) para segurar o preço da gasolina. "Esses impostos devem ser cobrados. Poderia ter até pedágio urbano, e o dinheiro poderia ser investido na melhoria do transporte público", defendeu Giannetti. / D.B.

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