Com doações, Dirceu obtém 96% do que precisa para pagar multa

Sistema de arrecadação via internet já bancou punições financeiras de José Genoino, João Paulo Cunha e Delúbio Soares

Mateus Coutinho, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2014 | 02h06

Nove dias após o lançamento de um site de doações de dinheiro para ajudar a pagar a multa imposta pelo Supremo Tribunal Federal durante o julgamento do mensalão, o ex-ministro José Dirceu já arrecadou 96% da quantia necessária para quitar seu débito, fixado em R$ 971,1 mil. Condenado a 10 anos e 10 meses de prisão por corrupção ativa e formação de quadrilha, Dirceu está preso desde novembro na Papuda, em Brasília, onde cumpre parte da pena (7 anos e 11 meses) no regime semiaberto.

O ex-ministro foi o terceiro petista condenado no mensalão a lançar uma campanha de doações para o pagamento da multa imposta pelo Supremo. Antes dele, o ex-deputado José Genoino e o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares criaram seus próprios sites e conseguiram quitar suas multas, de R$ 667,5 mil e R$ 466 mil, respectivamente, com o dinheiro arrecadado.

O ex-deputado petista João Paulo Cunha, também preso na Papuda, não lançou campanha, já que o excedente do valor arrecadado por Delúbio - o ex-tesoureiro conseguiu mais de R$ 1 milhão - foi suficiente para pagar a multa de R$ 373,5 mil imposta ao ex-presidente da Câmara. O próprio Delúbio recebeu R$ 30 mil que sobraram da campanha de Genoino.

As campanhas de doações de Genoino, Delúbio e Dirceu já arrecadaram mais de R$ 2,7 milhões. Somadas, as multas dos três condenados, além da imposta a João Paulo, chegam a R$ 2,4 milhões. Apesar de o valor total arrecadado superar o que os quatro devem, o dinheiro ainda não é suficiente porque parte dele foi usada para pagar tributos referentes às doações.

Na quinta-feira, a Justiça determinou que o ex-ministro fosse notificado sobre o pagamento da multa. Mas até ontem sua defesa não confirmou se ele recebeu a notificação.

"Chegamos ao final do processo convictos de que a mesma rede de apoio ajudou Dirceu, Genoino e Delúbio", disse o coordenador do Núcleo Jurídico do PT, Marco Aurélio Carvalho, responsável pelas campanhas.

Críticas. As arrecadações dos petistas presos foram questionadas pelo ministro do STF Gilmar Mendes, para quem a campanha de doações "sabota e ridiculariza o cumprimento da pena". Mendes ainda pediu aos petistas que arrecadassem recursos para devolver os cerca de R$ 100 milhões desviados no mensalão.

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