Com Dilma, Cabral é vaiado e culpa oposição

Governador é hostilizado por plateia em São Gonçalo, comandada por aliado de Garotinho; presidente faz apelo por 'cooperação' entre governos

Luciana Nunes Leal e Sabrina Valle / RIO, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2013 | 02h20

Ao lado da presidente Dilma Rousseff, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), foi vaiado nesta quarta-feira, 11, durante evento em São Gonçalo, segundo maior colégio eleitoral do Estado. Cabral culpou o prefeito Neilton Mulim (PR), ligado ao ex-governador Anthony Garotinho, sugerindo que ele teria sido o responsável pela claque opositora.

A cerimônia oficial foi organizada para que Dilma anunciasse investimentos de R$ 2,57 bilhões na construção de um monotrilho até a vizinha Niterói.

Quando Cabral tomou a palavra, passou a ser alvo da plateia. Em resposta, o governador pediu "educação" e acusou o PR de estar por trás dos protestos que ocorrem desde junho.

"Neilton, treina a sua turma para ser mais educada", disse Cabral, que, para enfrentar a hostilidade, apertou a mão do prefeito, citou Mulim várias vezes e enumerou investimentos estaduais em São Gonçalo. "Aqui não tem diferença partidária, o prefeito é de um partido adversário que às vezes organiza manifestações contra, mas o povo está em primeiro lugar."

À tarde, Garotinho, que deverá disputar o governo do Estado no ano que vem contra o vice de Cabral, Luiz Fernando Pezão, respondeu à acusação. "Cabral é um cidadão que vive em um mundo de bipolaridade. Ora está consciente, ora em delírio", disse o ex-governador e líder do PR na Câmara dos Deputados.

'Cooperação'. Após seguidas vaias a Cabral no evento em São Gonçalo, Dilma discursou. Um pequeno grupo tentou vaiá-la, mas foi logo ofuscado por aplausos de pé. "Governo coopera, não disputa", disse a presidente, tentando contemporizar.

Num discurso cheio de improvisos, Dilma afirmou que "durante a eleição pode haver disputa, mas na hora do governo tem que haver cooperação" e afirmou que a população está acima "de partido político, de time de futebol, de religião".

A presidente destacou os investimentos de seu governo em áreas pobres e anunciou que a União vai investir na elaboração de projetos viários na capital e região metropolitana do Rio. "Aqui hoje nós estamos colocando mais um pedaço do pacto da mobilidade em pé", disse, citando o pacote de investimentos anunciado em resposta à onda de protestos de junho.

A presidente criticou governos passados por darem prioridade aos ônibus como transporte de massa. "Estamos correndo atrás da decisão errada de não investir em metrô nos anos 80 e 90. Essa visão errada levou cidades a uma situação muito difícil, é só olhar São Paulo, Rio e Belo Horizonte, as três maiores", disse. Embora o tema da solenidade fosse mobilidade, ela dedicou parte do discurso à defesa do programa Mais Médicos, que tenta levar atendimento a regiões periféricas do País.

Dilma fez uma referência especial ao vice-governador Luiz Fernando Pezão, provável candidato do PMDB ao governo do Estado. A presidente disse que Pezão é "parceiro estratégico das obras". Um pequeno grupo puxou o coro "União, união, Dilma, Cabral e Pezão". A presidente encerrou a visita a São Gonçalo se aproximando do público que encheu o ginásio de um clube no centro da cidade. Abraçou moradores, posou para fotos e recebeu um grupo que exibia um cartaz de agradecimento pela construção do monotrilho.

À tarde, foi a vez de operários do estaleiro Inhaúma, na região portuária da capital, fazerem uma longa vaia quando a presidente citou Cabral, Pezão e o prefeito da capital, Eduardo Paes, todos do PMDB.

"Vou pedir a vocês que a gente tenha um comportamento civilizado, educado", repreendeu Dilma. As vaias cessaram e ela continuou, fazendo referência ao aumento dos empregos na indústria naval. "Quando eu voltar aqui, serão mais de 70 mil empregos", disse a presidente.

Assim como boa parte dos governantes, Cabral amargou queda de popularidade após os primeiros protestos de junho. O governador, porém, continua sendo alvo constante dos manifestantes no Estado.

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