'Com concessão de aeroportos, PT quebra novos paradigmas'

Há diferença entre privatização e concessão de serviços públicos à iniciativa privada?

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2012 | 03h08

Não há privatização de esquerda e de direita. Ela acontece em vários níveis, existem concessões, terceirizações, transferências de ativos, transferência de controle, enfim, modelos com variações em torno do grau de transferência à iniciativa privada, mas privatização é privatização. Como o PT se caracterizou muito pela luta contra as privatizações, para eles é muito difícil trabalhar com essa palavra e esse conceito. Até adotaram a ideia de parceria público-privada, algo mais aceitável politicamente. Mas, a rigor, tecnicamente falando, não há diferença entre a venda de uma empresa estatal e a concessão de um aeroporto, de um porto ou de uma estrada.

Segundo líderes tucanos, a privatização dos aeroportos mostra que o PSDB venceu o debate sobre o tema. Como o sr. analisa essa afirmação?

Quando foi criado, na década de 1980, o PT era um partido, e hoje é outro. Quando o então candidato Lula apresentou a Carta ao Povo Brasileiro, comprometendo-se a respeitar os contratos, ele já quebrou vários paradigmas. Agora, com a concessão dos aeroportos, novos paradigmas foram quebrados pela presidente Dilma. Não é possível uma pessoa dizer que as privatizações do governo tucano foram erradas e as do PT são certas. Não há como criticar uma coisa e defender outra.

As diferenças entre PT e PSDB estão se diluindo?

Hoje o PT é um partido social-democrata, no sentido alemão do termo. Quando o PT deixa de ser de esquerda e vai para o centro, transformando-se em social-democrata, ou seja, pró-capitalismo, que aceita que o capitalismo existe e procura criar uma versão melhorada, mais humana, nesse sentido ele se aproxima, sim, do PSDB.PT e PSDB ainda podem discordar sobre o caminho para tornar o capitalismo mais humano, mas, no fundo, estão muito próximos.

Ao caminhar para o centro, o PT não ocupa um espaço que o PSDB pretendia dominar?

O fato de o PT ter vencido três eleições presidenciais já é uma demonstração disso. É um fenômeno que acontece há uma década. A questão agora é ver o que o PSDB fará para tentar retomar o centro. / DANIEL BRAMATTI

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