Flávio Bolsonaro / Divulgação
Flávio Bolsonaro / Divulgação

Com cautela, equipe de Bolsonaro quer mostrar recuperação do candidato em vídeo

Aliados querem mostrar que militar terá condições de assumir o Planalto se for eleito; estratégia é montada com cuidado para não atrapalhar recuperação após segunda cirurgia

Tânia Monteiro e Leonencio Nossa, O Estado de S.Paulo

14 Setembro 2018 | 11h13

BRASÍLIA - Preocupados com o estado de saúde de Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL nas eleições 2018, auxiliares diretos do capitão da reserva tentam encontrar uma forma de, ainda neste fim de semana, divulgar alguma gravação em vídeo para mostrar que, apesar da nova cirurgia de emergência, sua recuperação avança.

A estratégia está sendo montada com cuidado, principalmente para que não afete a recuperação do candidato. Na última quarta-feira, Bolsonaro precisou ser submetido a uma nova cirurgia de emergência para remover um ponto de aderência na alça intestinal, que foi desfeito. Aliados de Bolsonaro querem mostrar que, apesar do atentato, ele está se recuperando e terá condições de assumir o Planalto, sem qualquer problema, caso seja eleito. 

De acordo com um médico da equipe que acompanha o candidato, ouvido sob condição de anonimato, “a evolução dele não poderia estar sendo melhor”. Acrescenta ainda que “contrariando o que se espera nesse tipo de lesão, ele não desenvolveu nenhum quadro infeccioso e as culturas (usadas para identificar a presença de eventuais bactérias que possam causar infecção) são todas são negativas”.

O médico elogiou o procedimento adotado no hospital de Juiz de Fora, para onde  Bolsonaro foi levado logo após ser esfaqueado. Ele lembra que candidato  precisou, inicialmente, ser poli-transfundido, isto é, fez uso de várias unidades de hemoderivados (4 de hemácias, 3 de plasma e 2 de plaquetas). Segundo ele, nessas situações é comum que os pacientes tenham uma resposta inflamatória global, chamado SIRS. Este tipo de quadro pode levar, em algumas casos, a insuficiência respiratória e entubação prolongada”.

O médico ainda ressalta que, “mais uma vez contrariando todas as expectativas, Bolsonaro não desenvolveu isso” e que “os exames laboratoriais dele não poderiam estar melhores, que seus índices sanguíneos estão praticamente normais, com discreta anemia, muito melhores do que se esperava para alguém com o quadro dele”. Disse também que os índices que medem inflamação e infecção, como leucócitos e PCR, estão dentro do esperado, não demonstrando qualquer sinal infeccioso e que suas taxas de proteína (que servem para avaliar eventual quadro de desnutrição) estão normais.

O médico justifica ainda que o fato de ele persistir em jejum é o protocolo que se utiliza após qualquer cirurgia abdominal e que o organismo reage a manipulação do intestino deixando este órgão paralisado por cerca de 24 a 72 horas. “É exatamente isso que está acontecendo com ele. Nada anormal”, disse  ele, lembrando que a segunda cirurgia, que muitos atribuíram a um agravamento em seu quadro de saúde, também está dentro do que se espera. 

Segundo o médico, é habitual que nestas ocasiões seja necessária uma segunda abordagem, conhecida na literatura médica como “second look”, para aperfeiçoar reparos foram feitos em situação emergencial. O médico acrescenta que a terceira cirurgia, que está prevista mais adiante, também é habitual, pois destina-se a retirar a bolsa de colostomia e reconstruir a anatomia normal de Bolsonaro, que passará a ter uma vida independente, como qualquer um. Ele explica que a recuperação de Bolsonaro é “surpreendentemente boa” e que, em muito breve, sairá da unidade de tratamento intensivo (UTI) para a semi intensiva.

Bolsonaro foi esfaqueado na quinta-feira da semana passada, dia 6 de setembro, durante ato de campanha em Juiz de Fora. Na sexta-feira, foi transferido para o hospital Albert Einstein, na zona sul de São Paulo. Relembre os fatos mais importantes desde o ataque.

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