Com campanha fraca e indefinição, Alckmin ajudou Kassab

Analistas afirmam que marketing confuso do candidato do PSDB provocou empate com prefeito na pesquisa Ibope

Andréia Sadi e Giuliana Vallone, estadao.com.br

13 de setembro de 2008 | 07h33

A falta de definição da candidatura de Geraldo Alckmin, do PSDB, tem prejudicado seu desempenho na disputa pela Prefeitura de São Paulo e favorecido o candidato do DEM, Gilberto Kassab. Além disso, a campanha "bem feita" do atual prefeito, em relação ao marketing confuso de Alckmin, também tem gerado os resultados vistos na última pesquisa Ibope, em que os dois aparecem empatados com 21% da preferência. A opinião é dos cientistas políticos Claudio Couto, da FGV, e Vera Chaia, da PUC-SP, ouvidos pelo estadao.com.br.   Veja também: Marta cai, Kassab sobe e empata com Alckmin, mostra pesquisa Ibope Campanha bem feita de Kassab faz a diferença, comenta Claudio Couto  Indefinição de Alckmin o prejudica, diz Vera Chaia  Especial: Perfil dos candidatos  Blog: propostas dos candidatos de São Paulo na sabatina do 'Grupo Estado' Vereador digital: Conheça os candidatos à Câmara de SP  Tire suas dúvidas sobre as eleições de outubro   "O que nós estamos vendo é recuo da candidatura exatamente pela falta de definição do que é Alckmin. Ele é opositor ao Kassab? Opositor a Marta?", questionou Vera. "Mesmo em relação ao posicionamento político, nós vemos que existe um trabalho não muito claro do significado dessa candidatura. Afinal, ele quer ser prefeito? Ele quer ser prefeito porque não conseguiu ser presidente?"   Além disso, ela citou o "bombardeamento" de setores do PSDB em relação à candidatura do tucano. "Kassab tem uma parcela significativa de apoio de parlamentares e secretários ligados ao PSDB", disse. "Então é muito difícil que Alckmin consiga recuperar esse apoio. Realmente, a tendência é que Kassab aumente seus votos, enquanto Alckmin provavelmente deve cair."   O professor da Fundação Getúlio Vargas, Claudio Couto, emendou: "Conta o fato de Alckmin ser um candidato "fritado" dentro do PSDB. Ele é cristianizado por parte significativa do seu partido e também por um dos homens poderosos do PSDB, que é o Serra."   'Acomodação'   Couto comentou que a queda da candidata Marta Suplicy, do PT, de quatro pontos, é uma "acomodação esperada", já que no começo da campanha ela subiu muito e agora a tendência será essa. "O eleitor começa a achar que há outras alternativas, que ela não é a única."   Segundo Vera, Kassab tem grandes chances de ser o oponente de Marta Suplicy no segundo turno da disputa, já que vêm ganhando eleitores desde o início das pesquisas. "Ele está ganhando força e isso é resultado da sua campanha eleitoral, muito bem trabalhada, em que ele tem tido oportunidade de se fazer conhecer e de mostrar aquilo que fez para a cidade", afirmou.   Couto acredita também que Marta não foi pega de surpresa com o disparo de Kassab nas intenções de voto. "Ela estava esperando, é algo natural. Ela já está direcionando sua campanha para o Kassab, e não para o Alckmin", concluiu.   Vera completou afirmando que, com os novos resultados, a tendência é que os ataques da petista se voltem ainda mais para o atual prefeito. "Ele já mostrou no programa eleitoral que sua preferência é atacar a Marta", disse.

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