Mateus Fagndes/Estadão
Mateus Fagndes/Estadão

Com Brasília 74 e Bernardinho, Novo lança João Amoêdo

Partido formaliza neste sábado o empresário como candidato à Presidência da República nas eleições 2018

Mateus Fagundes, O Estado de S.Paulo

04 Agosto 2018 | 16h27

Uma Volkswagen Brasília laranja "recebe", na entrada do auditório da Amcham, em São Paulo, filiados e pré-candidatos na convenção nacional do Partido Novo, que formaliza neste sábado, 4, a candidatura do empresário João Amoêdo à Presidência da República nas eleições 2018.

O carro ano 1974, com adesivos 'Vamos renovar Brasília', não é o único adereço que remete ao passado na convenção do partido. As primas Ana Vitória e Letícia Santos, naturais de Araxá (MG), estavam vestidas com trajes de época para tirar fotos com candidatos do Novo antes do início da convenção.

No auditório, com a tradicional camisa laranja do Novo, Letícia lamentou não estar mais com as roupas do século 19. "Eu estava representando Xica da Silva e minha prima, Dona Beja de Araxá, que é a terra do nosso candidato em Minas", disse, em referência ao empresário Romeu Zema.

Lúcia Helena, assessora do candidato a deputado estadual por Minas Gerais Adriano Pimenta, disse que partiu dela a ideia. "As meninas deram um show em Belo Horizonte", comentou. Estes elementos contrastam com o discurso de renovação dos líderes do partido.

Ao tirar o blazer azul para colocar por cima da camisa social a camiseta branca com o logotipo em laranja do partido e a inscrição "candidato", o escolhido para ser vice de Amoêdo, Christian Lohbauer, disse ter orgulho de vestir a peça. "Você consegue ver alguém com coragem de vestir a camisa do MDB?", afirmou ao Broadcast Político.

Lohbauer disse que a meta do partido é participar dos debates e explorar as redes sociais. "Esta é a renovação. Na TV, vamos ter no máximo 7 segundos. Temos de ir por este caminho", afirmou. Ele disse também que acredita que o Novo deve conseguir eleger este ano uma bancada de seis deputados federais. "Não temos alianças e não somos nanicos. Somos novos", disse.

O técnico de vôlei Bernardinho, um dos mais famosos nomes do Novo e que foi aventado como postulante ao governo do Rio, usou uma metáfora esportiva para justificar a candidatura de Amoêdo. "É do jogo perder ou ganhar. Não vamos fazer alianças com pessoas que não compartilham as ideias conosco", disse. 

O candidato do Novo ao governo de São Paulo, Rogério Chequer, negou que haja conversas para apoiar o candidato à Presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro. "Isto está fora de cogitação", disse, ao ressaltar que esta foi uma decisão do partido. A advogada Janaína Paschoal sugeriu a aliança com Amoêdo, que descartou este acerto. A coautora do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff recusou neste sábado a vaga de vice na chapa de Bolsonaro.

Social

Chequer falou que a legenda precisa "superar o preconceito" de usar a palavra "social" em suas propostas. "Tudo o que propomos é um instrumento para mudar o social do País. Não devemos ter o preconceito de usar esta palavra", afirmou. Ele disse que os candidatos da sigla têm sido "sabotados" em pesquisas eleitorais. "É um sinal de que estamos incomodando", afirmou.

"Nossos adversários se tornaram grandes corporações e não devemos ter medo de atacá-los. Mas vamos atacar com honestidade, elegância", disse.  O candidato que o projeto da sigla não é somente vencer as eleições, mas sim "dar os primeiros passos como nação". 

Ao chamar ao palco sua candidata a vice, Andrea Menezes, disse que ela foi escolhida por ter muitas qualidades. Andrea disse que vai lutar para diminuir a quantidade de votos brancos e nulos, que, segundo ela, são a maioria entre o eleitorado feminino. "A gente tem de fazer como quando encontramos uma liquidação, um cabeleireiro bom... Temos de espalhar a mensagem", afirmou.

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