Com aprovação em alta, presidente fecha a porta arrombada

Um ano depois de assumir o governo e de ser obrigada a limpar parte de sua equipe ministerial por conta de envolvimento em irregularidades, a presidente Dilma Rousseff decide adotar um modelo de gestão empresarial e ampliar seus mecanismos de fiscalização. E, mesmo assim, só começa a fazer agora por conta da chancela da opinião pública, que lhe deu uma aprovação de governo superior a de seu antecessor e padrinho Luiz Inácio Lula da Silva, segundo a mais recente pesquisa feita pelo Datafolha.

MARCELO MORAES, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2012 | 03h08

Na prática, o resultado lhe garante força própria para criar seu modelo de administração, desvinculada do carisma eleitoral de Lula que lhe garantiu a vitória nas urnas em 2010.

A guinada rumo a uma gestão mais profissional e menos ligada aos interesses de sua base política pode servir para garantir mais resultados na gestão da pesada máquina pública federal. Mas não funcionou até agora para quebrar a lógica dos feudos que as legendas aliadas montaram nas pastas por elas comandadas.

Ministros envolvidos em escândalos foram trocados, mas seus partidos tiveram o direito de manter o controle do cargo e indicar os sucessores. Alguns, com influência maior, como o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, sequer foram substituídos.

Além disso, até mesmo quando demitiu chefes de órgãos de segundo escalão, como Dnocs e Codevasf, o governo acenou com a oferta de aceitar novas indicações dos partidos da base para ocupar as vagas abertas.

Ampliar mecanismos de fiscalização é uma necessidade mais do que comprovada pela própria Controladoria-Geral da União (CGU). O governo exibe um impressionante recorde de demissão de mais de um servidor federal por dia, por conta de envolvimento com algum tipo de irregularidade. A favor da atual administração existe o reconhecimento de que, antes, essas demissões eram quase impossíveis de serem feitas. Além disso, a decisão de dividir a responsabilidade por irregularidades cometidas por integrantes do governo com seus superiores, como os ministros de Estado, nem é fato novo. O ministro da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage, disse, em entrevista ao repórter Iuri Dantas, que responsabilizar gestores por irregularidades em seus órgãos já está previsto no Decreto-lei 200, de 1967. "Há distorções de achar que o controle é de responsabilidade de um órgão externo, controle é de responsabilidade de qualquer gestor", acrescenta Hage, definindo com precisão a questão.

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