Com apoio de ministra, Fruet bate Ratinho Jr.

Vitória de ex-tucano representa também triunfo de Gleisi Hoffmann, que mira o governo estadual

LEONENCIO NOSSA, O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2012 | 03h05

Aliado de última hora do Planalto, o advogado Gustavo Fruet (PDT) é o novo prefeito de Curitiba, com 60,65% dos votos, após superar Ratinho Júnior (PSC), que obteve 39,35%. A vitória do ex-tucano, que deixou o PSDB por divergência com o grupo do governador Beto Richa, é o grande trunfo da ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, para a disputa pelo governo do Paraná em 2014.

A aliança dos petistas com o PDT de Fruet foi costurada por Gleisi e pelo marido, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. Na manhã de ontem, a ministra observou que essa parceria começou na eleição de 2010, quando o PT apoiou Osmar Dias (PDT) para o governo estadual. A meta do grupo, agora, é manter a aliança para a disputa de 2014.

"Agora, é trabalhar pela aproximação", disse Fruet ao chegar acompanhado de Gleisi e Paulo Bernardo para votar em uma faculdade privada da cidade.

No começo da noite, pouco antes da confirmação da vitória, Fruet recebeu o telefonema da presidente Dilma Rousseff. "A presidente disse que pode contar com ela para garantirmos êxito na gestão em Curitiba", completou. "Ficamos de marcar um encontro em Brasília, que terá também a presença da ministra Gleisi Hoffmann."

Do total de 1,1 milhão de eleitores, Fruet foi escolhido por 597 mil, enquanto o adversário teve a preferência de 387 mil. Os votos brancos totalizaram 25 mil e os nulos, 44 mil. O candidato vencedor avaliou como "maldosos", "criminosos" e "covardes" os ataques dos adversários no 1.º e no 2.º turnos, que tentaram associá-los aos envolvidos no escândalo do mensalão.

O ex-tucano fez questão de lembrar que o PSDB nacional foi avisado com antecedência de sua saída do partido, no ano passado, depois que o grupo de Richa deixou claro que apoiaria a reeleição do prefeito Luciano Ducci (PSB), que não chegou ao 2.º turno. "O (José) Serra e o Aécio (Neves) sabem da minha história", afirmou Fruet. "Aqui, não tem convenção. Só existe uma comissão provisória que define candidaturas."

A mágoa maior, no entanto, era com o Ibope, que afirmou no 1.º turno que Ducci seria o concorrente de Ratinho Júnior no 2.º turno. "Eu não fiquei surpreso com o resultado no 1.º turno. Quem ficou foi o Ibope. Eu fiquei apenas emocionado."

Derrotado, Ratinho Júnior diz ter sido vítima de "preconceito" por não pertencer a uma família tradicional da cidade. "Sofri muito com o conservadorismo de Curitiba, pelo apelido que tenho e por não pertencer à família tradicional", afirmou o filho do apresentador do SBT Ratinho.

Rapidez. Por volta das 18h40, o Paraná já havia encerrado a apuração nas cincos cidades que tiveram 2.º turno. Visto nos últimos dias como o maior derrotado no processo eleitoral no Paraná, o governador Beto Richa minimizou a derrota em Curitiba, seu principal reduto eleitoral, uma situação incômoda em uma disputa considerada como prévia das próximas eleições.

Richa, porém, mostrou fôlego inesperado na abertura das urnas em outras três grandes cidades do Estado, onde aliados venceram petistas em disputas voto a voto - Marcelo Rangel (PPS) ganhou de Péricles (PT) em Ponta Grossa com 50,48% dos votos. Outras vitórias foram de Edgard Bueno (PDT), que derrotou Professor Lemos (PT) em Cascavel, e de Pupin (PP), vencedor em Maringá contra Enio Verri (PT).

Em Londrina, Alexandre Kireeff (PSD), que contou com apoio do PT no 2.º turno, venceu Marcelo Belinati (PP), outro aliado de Richa, em disputa com diferença de menos de 3 mil votos: 50,53% a 49,47% dos votos.

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