Com Anastasia, tucano vai propor bônus para servidores federais

Pai do 'choque de gestão', que deixou governo de Minas na sexta-feira, vai coordenar programa do correligionário Aécio Neves

DÉBORA BERGAMASCO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2014 | 02h05

Prestes a coordenar pela terceira vez um programa de governo de Aécio Neves, hoje senador e pré-candidato do PSDB à Presidência, o ex-governador de Minas Antonio Anastasia vai incluir nas promessas do tucano o pagamento de bônus para servidores federais que atingirem metas estabelecidas. O pai do "choque de gestão" dos governos de Aécio em Minas quer levar as mesmas ideias colocadas em prática no Estado para a campanha presidencial.

"O mais difícil é enfrentar essa cultura brasileira refratária a mudanças, a cobranças de meta", disse Anastasia ao Estado. "Para mudar, nada melhor que pagamento de bônus, estímulos e exemplos, como dar promoções aos mais bem avaliados. Em Minas, essa mudança continua a ser uma busca, mas a situação já é bem melhor do que há dez anos."

Anastasia coordenou os planos de governo de Aécio nas campanhas estaduais vitoriosas de 2002 e 2006 e levou à máquina pública modelos de gerenciamento utilizados no setor privado. Entre outras medidas, o que aconteceu em Minas foi o corte no número de secretarias, enxugamento da máquina e estímulo à produtividade de quem permaneceu no cargo, para aumentar os recursos disponíveis para investimentos. Alguns especialistas criticam as efetivas conquistas sociais que o modelo proporcionou, mas o "choque de gestão" tornou-se a principal assinatura dos 12 anos de governo tucano em Minas, um trunfo em termos de marketing eleitoral que será agora levado à disputa presidencial.

Servidor. Solteiro e fã das óperas de Verdi, Anastasia dedicou 29 de seus 52 anos de idade ao serviço público. Formado em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), hoje é professor da instituição, onde concluiu o mestrado com um estudo voltado ao regime jurídico do servidor público.

Apesar do perfil técnico, foi escolhido por Aécio para ser seu vice, na disputa mineira de 2006, e depois candidato à reeleição. Renunciou ao governo na sexta-feira para provavelmente disputar o Senado, mas afirmou em discurso que seu objetivo é "servir à causa mineira". No estafe de Aécio, Anastasia já é cotado para assumir um ministério como a Casa Civil ou o Planejamento, em caso de vitória do tucano em outubro.

Para ajudar o PSDB na disputa pela Presidência, Anastasia já está escalado também para atuar como interlocutor em setores onde circula bem, como o meio acadêmico e cultural. Fluente em inglês e francês, o professor Anastasia faz um contraponto ao estilo descontraído de Aécio.

Discreto, diz adorar estudar e ler. Acaba de terminar A Lebre com Olhos de Âmbar, do cultuado ceramista inglês e agora também escritor Edmund de Waal. O livro voltou para a estante, perto do troféu Galo de Prata, honraria concedida pelo Atlético Mineiro a ilustres torcedores como o ex-governador. Mais um contraponto em relação ao cruzeirense Aécio.

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