Com Alckmin 'em alta', PT busca saída

Nos bastidores, tucanos temem candidatura de ministro da Justiça; ontem, governador rebateu críticas de Cardozo e diz que é parceiro da União

Julia Duailibi / São Paulo, Vera Rosa / Brasília, O Estado de S.Paulo

11 Junho 2013 | 02h02

Com um rival do PT ainda indefinido, o governador Geraldo Alckmin (PSDB), que pretende disputar a reeleição em 2014, afirmou ontem que vai "arregaçar as mangas e trabalhar até o fim do mandato", evitando comemorar a liderança isolada na última pesquisa Datafolha. Tucanos e petistas interpretaram as críticas do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, à postura de Alckmin no combate à violência como sinal de articulação para viabilizar o próprio nome no PT.

No domingo, em entrevista ao Estado, Cardozo afirmou que Alckmin "politiza a questão da segurança" ao dizer que a violência em São Paulo é agravada por falhas na fiscalização de fronteiras. Ontem, o tucano evitou polêmica com o ministro. "Nosso trabalho é permanentemente de parceria", disse Alckmin em Paris, ao ser perguntado sobre as declarações de Cardozo. O governador participa de evento para defender a candidatura da capital paulista à Expo 2020.

Presidente do PSDB paulista, o deputado Duarte Nogueira respondeu ao petista. "Em vez de olhar para fora, Cardozo deveria olhar para dentro, para os problemas do seu ministério."

Nos bastidores do PSDB, Cardozo é visto como o mais competitivo entre as opções do PT - mais do que Alexandre Padilha, considerado fraco em sua gestão no Ministério da Saúde, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que tem como passivo o baixo crescimento da economia no governo Dilma Rousseff.

Os tucanos avaliam que o ministro da Justiça colocaria a questão da segurança pública, calcanhar de Aquiles de Alckmin, como principal tema da eleição. O PSDB mostra as estatísticas do Estado como entre as melhores do País, mas sabe que num debate o estrago pode ser grande, principalmente quando se terá do outro lado alguém dizendo ter credenciais para tratar do assunto.

Outro ponto é o fato de Cardozo ter um perfil mais palatável para a classe média paulista, considerada conservadora. Procurador e professor universitário, Cardozo poderia ser vendido como uma novidade eleitoral, assim como foi o hoje prefeito Fernando Haddad em 2012.

O problema de Cardozo está dentro do PT. O ministro não é do grupo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que prefere Padilha. Cardozo chegou a ser bombardeado pelo ex-presidente, principalmente nas investigações sobre o mensalão no Congresso, em 2005, quando o ministro era deputado e fez questionamentos duros à ação do PT no escândalo.

Enquanto isso, o presidente do PT paulista, deputado estadual Edinho Silva, cobrou ontem mais atenção do governo federal para a escolha do candidato do partido. "O fato de não definirmos um candidato logo imobiliza a construção política da campanha em São Paulo e atrapalha até a montagem do palanque de Dilma no principal colégio eleitoral", diz Edinho Silva. "A única chance que temos de disputar com a máquina do governo é nossa capacidade de organização, mas não conseguiremos construir uma política de alianças sem nome." / COLABOROU LÚCIA MÜZELL, ESPECIAL PARA O ESTADO

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