Com ajuda de Temer, PMDB se aproxima de Dilma para conter PT

Na batalha pelos cargos do segundo escalão do governo, partido do vice tenta ampliar diálogo com o Palácio do Planalto

JOÃO DOMINGOS, MARTA SALOMON / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2012 | 03h06

Depois de constatar que as ameaças de retaliações no Congresso feitas na semana passada não impediriam o avanço do PT sobre os cargos que ocupa no segundo escalão, o PMDB mudou de tática na disputa com o aliado por espaço no governo. Passou a dar mais força ao diálogo com a presidente Dilma Rousseff.

Na operação de defesa de suas linhas e de seu espaço, envolveu o vice-presidente da República, Michel Temer, que também é o presidente licenciado do partido. Os primeiros resultados foram satisfatórios, de acordo com os peemedebistas.

Por enquanto, o PMDB garantiu a manutenção do presidente da Transpetro, Sérgio Machado, indicado pelo presidente do Senado, José Sarney (AP), e pelo líder do partido nessa mesma Casa, Renan Calheiros (AL).

Também entrou na contabilidade da resistência a manutenção do diretor de Refino da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, nicialmente bancado pelo PP, mas agora com o apoio do PMDB.

Seus padrinhos atuais são o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN) e o vice-líder Eduardo Cunha (RJ).

Foi Henrique Alves que na semana passada liderou as ameaças de retaliação ao governo nas votações do Congresso, caso fosse concretizada a demissão de Elias Fernandes da diretoria-geral do Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs). Não teve êxito.

Suspeito de envolvimento no desvio de R$ 320 milhões, Fernandes foi posto para fora com outros três dirigentes.

Aconselhado por Temer a ter um outro tipo de comportamento, Henrique Alves recuou. Obteve a garantia de que poderá nomear o novo diretor do Dnocs, uma nome do PMDB do Rio Grande do Norte.

Na base de uma resistência silenciosa, o PMDB tem conseguido ainda segurar Fábio Cleto na vice-presidência de Loterias da Caixa Econômica Federal. Também neutralizou pressões que já eram feitas pelo PT para que a presidente Dilma Rousseff tirasse da vice-presidência de pessoa física da Caixa o ex-ministro Geddel Vieira Lima.

O PMDB acusa o PT de avançar sobre seus postos por estar de olho na conquista de cidades médias e pequenas nas eleições municipais. Um dos exemplos mais citados é a troca de um peemedebista por um petista na superintendência da Fundação Nacional da Saúde (Funasa) de Mato Grosso do Sul. Saiu Flávio Britto Neto, indicado pelo governador André Puccinelli e pelo deputado Geraldo Resende, dando lugar ao ex-deputado petista Pedro Teruel, um aliado do senador Delcídio Amaral (PT).

Para o deputado Lúcio Vieira Lima, presidente do PMDB da Bahia, "o objetivo do PT é ocupar os cargos nos Estados e municípios para fazer um grande número de prefeitos e, assim, ficar mais forte para 2014, elegendo um grande número de deputados e senadores". Dessa forma, na avaliação de Vieira Lima, o partido não precisará mais dos aliados.

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