Com a presença de candidato, pastores pedem voto para Russomanno em culto

Pastores da Assembleia de Deus Ministério em Santo Amaro pediram voto na noite de ontem para o candidato do PRB à Prefeitura, Celso Russomanno, durante um culto na igreja da zona sul paulistana. Até o número de Russomanno, que estava presente, foi citado. A legislação proíbe campanha dentro de templos religiosos - considerados bens públicos. A multa varia de R$ 2 mil a R$ 8 mil.

FELIPE FRAZÃO, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2012 | 03h05

Conforme o Estado revelou ontem, a Assembleia de Deus Ministério em Santo Amaro estabeleceu uma meta a seus 500 pastores: cada um deve conseguir ao menos cem votos para Russomanno. A meta foi lembrada durante culto de ontem, uma comemoração do aniversário de 57 anos do presidente da igreja, pastor Marcos Galdino. O Ministério da Assembleia de Deus planeja distribuir 1,2 milhão de cartas em prol do candidato do PRB.

"Leve esse nome, Celso Russomanno, para mais 100 pessoas, para que possa assumir essa grande cidade de São Paulo. Me dê esse presente. Vamos apostar em mudança", disse Marcos Galdino. Ele também pediu que os fiéis dessem dez abraços em pessoas que estavam ao lado - enfatizando o número do candidato.

Convidado, o candidato subiu ao altar da Assembleia de Deus por volta das 20h30 ao lado de seu vice, Luiz Flávio D'Urso (PTB), do coordenador de campanha, deputado estadual Campos Machado (PTB) e do vereador e bispo da Igreja Universal do Reino de Deus Atílio Francisco (PRB). Com pouco tempo no horário eleitoral de TV, Russomanno tem contado com o apoio de obreiros da Universal para conseguir votos nas ruas.

Russomanno e D'Urso tiveram a palavra. Pediram a bênção de Deus para suas famílias. "Nos últimos dias a gente tem sofrido muita pancada, talvez porque estamos bem nas pesquisas", disse Russomanno. "Queria pedir que nos uníssemos em oração para abençoar as nossas intenções, que são sinceras, reais, verdadeiras e poder dar o melhor de nós para uma causa maior", afirmou D'Urso.

Quando os convidados políticos desceram do altar, o pastor José Geraldo Eugênio afirmou: "O dia 7 de outubro está chegando, nas urnas então, vamos estar votando em nossos candidatos. Para prefeito, é o doutor Celso Russomanno, número 10. Amém, graças a Deus".

A cerimônia religiosa foi conduzida pelo filho do presidente do Ministério Santo Amaro, Renato Galdino. Ele aproveitou a ocasião para anunciar que estava saindo do PSDB e se filiando ao PRB de Russomanno. "A bíblia nos diz que quando o justo governa o povo se alegra. Nós estamos aqui alegres, porque sabemos que futuramente teremos pessoas sérias para apoiar as igrejas no Brasil e aqui em São Paulo. E quero desde já apresentar a vocês, meus irmãos, nosso amigo Celso Russomanno e o doutor D'Urso", disse. "Entendemos que Deus quer curar essa cidade. Estou me filiando ao PRB com a única visão de curar a cidade."

Ao pé do ouvido, o pastor recém-filiado despediu-se de Russomanno chamando-o de "chefe".

Questionados sobre o pedido de votos dentro da igreja, Russomanno, formado em Direito, e e D'Urso, presidente licenciado da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP), preferiram o silêncio. "Não tenho nada a declarar", repetiu inúmeras vezes Russomanno. "O apoio é extremamente importante. Todas as igrejas são bem-vindas nessa campanha. Todas. Estou muito feliz com o apoio de todas."

"Não vou falar nada. Não partiu da gente", emendou D'urso.

Particular. Em nome do Ministério em Santo Amaro, o pastor Renato Galdino disse entender que a igreja é um bem particular e não recebe ajuda de governo. Por isso, na interpretação dele, não houve qualquer infração à lei.

"Pastor da igreja é pessoa física pode dar a opinião dele fora e dentro da igreja. A igreja é mantida com recursos próprios. Quando entrar R$ 1 do governo aqui, aí a gente não vai poder falar. Simplesmente não há crime eleitoral. Se tivesse dinheiro da Prefeitura aqui, aí seria crime eleitoral, porque teríamos usado a máquina pública. Essa é a brecha da lei"defendeu Renato Galdino - a igreja foi multada pela Prefeitura em agosto em R$ 10 mil por infringir a Lei Cidade Limpa.

O artigo 37 da Lei Eleitoral diz que templos são bens o públicos - "aqueles a que a população em geral tem acesso, ainda que de propriedade privada" - portanto não podem abrigar campanhas.

Professor de direito eleitoral da UnB, o advogado Augusto Aras afirmou que a prática é ilícita e que, se somada a outros fatos, pode culminar em abuso de poder. "O fato é ilícito eleitoral. Porque é proibida qualquer tipo de propaganda eleitoral, mesmo se ela acontecer em espaços privados. O espaço é público pelo seu acesso, que é livre", disse.

Duas outras alas da Assembleia de Deus apoiam outros candidatos nas eleições paulistanas. O Ministério do Belém, o maior do País, apoia José Serra (PSDB). O Ministério do Brás apoia Gabriel Chalita (PMDB)./ COLABOROU RICARDO CHAPOLA

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