Com 51,72%, Edvaldo Nogueira é reeleito em Aracaju

Candidato do PC do B obteve 51,72% dos votos; Mendonça (DEM) ficou com 21,73% e Almeida (PMDB) com 17,73%

Da Redação com Antonio Carlos Garcia, especial par,

05 de outubro de 2008 | 19h16

O prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, PC do B, foi reeleito com 51,72% dos votos válidos (140.962 votos).  A surpresa desta eleição ficou para o segundo lugar. Almeida Lima (PMDB), que na maioria das pesquisas aparecia na frente de Mendonça Prado (DEM), terminou na terceira colocação com 17,73% dos votos válidos, enquanto que o democrata o ultrapassou com 21,73%. Os dois últimos candidatos foram Anderson Gois (PCB) com 5,46% e Vera Lúcia (PSTU) com 3,35%.   Veja Também: Cobertura completa das eleições 2008  Especial: Perfil dos candidatos  Eu prometo: Veja as promessas de campanha dos candidatos  TSE registra 168 prisões e casos de 509 irregularidades  Imagens da votação pelo Brasil     "Essa vitória é resultado da generosidade desse povo aracajuano, que compreendeu que a cidade é a capital da qualidade de vida. Estou alegre, satisfeito e emocionado, mas ao mesmo tempo assumo a grande responsabilidade de continuar governando cada vez mais", disse Nogueira logo após a confirmação de sua vitória, no Centro de Convenções de Sergipe, onde aconteceu a apuração.   Edvaldo Nogueira, o seu vice, Sílvio Santos, e o governador Marcelo Deda, PT, participam na noite deste domingo de uma festa na avenida Barão de Maruim, no centro da cidade, onde fica o comitê eleitoral, que está completamente lotada para um comício.   A Justiça Eleitoral contabilizou na capital um total de 302.551 votos, sendo 10.988 brancos (3,63%) e 19.036 nulos (6,29%). Houve ainda 54.245 abstenções, que corresponde a 15,20% do eleitorado de Aracaju (356.796) distribuído em 916 seções.   Histórico da campanha em Aracaju   Dois dos cinco candidatos a prefeito de Aracaju têm o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, PT, como principal cabo eleitoral nessas eleições. Entre esses dois, a novidade é o senador Almeida, que colocou nas ruas uma mensagem gravada há tempos pelo presidente sugerindo aos eleitores, em todo País, que votem nos candidatos que o apóiam.   A iniciativa do senador parece não incomodar Nogueira, que diz ter o apoio do presidente e do governador Marcelo Déda, de quem herdou a administração municipal. Em todos os três debates realizados por emissoras de TV - o último aconteceu na quinta-feira, na TV Sergipe, afiliada da Rede Globo - Almeida Lima garantiu que tinha o apoio do presidente Lula.   Para rebater, Nogueira questiona a amizade entre Almeida Lima e o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), quando o candidato defendeu o senador no imbróglio que quase o levou à cassação. Em contrapartida, Almeida ataca o PT - mesmo dizendo que tem o apoio do presidente - assegurando que "de corrupção quem entende é o PT de Zé Dirceu", referindo-se ao ex-homem forte do governo Lula.   Os outros três candidatos - Mendonça Prado, Anderson Góis e Vera Lúcia, PSTU - também bateram forte em Nogueira. Mendonça, que acreditava em um segundo turno, disse que o prefeito Edvaldo Nogueira "sempre almoçava" com o conselheiro do Tribunal de Contas de Sergipe, Flávio Conceição, um dos presos da Operação Navalha, da Polícia Federal (PF), no suposto esquema de corrupção montado pelo empresário Zuleido Veras, da Construtora Gautama.   O curioso é que Mendonça tem como cunhado o empresário João Alves Neto - filho do ex-governador João Alves Filho, DEM - uma das pessoas presas pela PF na Operação Navalha.   A mesma direção nacional do PT que vetou a aliança formal com o PSDB do governador Aécio Neves, na disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte, decidiu que a parceria dos petistas com os tucanos de Aracaju é permitida.   Teoricamente, as composições seguem o mesmo modelo nas duas capitais: o PT participa da chapa, indicando o candidato a vice-prefeito, e o PSDB pleiteia apenas o ingresso formal na aliança. Também nos dois casos, a chapa é encabeçada por candidatos de partidos aliados.   Dia de votação   O dia de votação em Aracaju foi agitado. Mais de 10 pessoas, de diversos pontos do Estado, foram interrogadas pela Polícia Federal (PF), acusados de boca de urna e distribuição de material de campanha. Entre os que tiveram que depor da PF, estava o ex-governador de Sergipe, João Alves Filho, acusado de participar de carreata no bairro Santos Dumont, zona norte da capital.   Logo depois que foi liberado pela PF, o ex-governador João Alves disse que sua detenção foi um ato arbitrário e que os militares estavam sob o comando do governador Marcelo Deda, PT. "Fiquei quatro horas detido por causa de uma ação arbitrária da PM obedecendo ordens do governador", afirmou Alves, acrescentando que quando aconteceu a apreensão, "duas carreatas do candidato Edvaldo Nogueira, PCdoB, passaram pela nossa comitiva, que tinha quatro carros, e o major nada fez, disse apenas que estaria realizando um trabalho específico".   Além de responsabilizar Marcelo Déda pelas prisões, Alves disse que na segunda-feira a coligação "Renovando com coerência", entrará com uma ação contra a Polícia Militar. Durante a confusão com João Alves, o deputado estadual Augusto Bezerra, DEM, agrediu com um soco no rosto um manifestante do grupo adversário. "Antes de ser deputado sou um ser humano. Não conseguiria admitir insultos e xingamentos. Agora deve ficar claro também que a própria PM agrediu vários colegas de vocês da imprensa", disse o deputado.   Interior   No interior do Estado, foi detido o candidato a vice-prefeito de Nossa Senhora do Dores, Gilberto dos Santos, PT, junto com cinco policiais militares que estavam à paisana, acusados de intimidar cabos eleitorais de outra coligação. "Estes eleitores foram agredidos fisicamente e intimidados com armas pelos policiais que estavam à paisana e portavam armas proibidas",disse o promotor da 16ª Zona Eleitoral, Renê Erba. Os policiais foram para pó presídio militar, enquanto que Gilberto encaminhado para o Complexo Penitenciário Manoel Carvalho Neto.   Também foi detido pela polícia Edson Aparecido dos Santos, coordenador da campanha de Aírton Sampaio, candidato a prefeito da Barra dos Coqueiros, na região metropolitana de Aracaju. O procurador regional eleitoral Paulo Gustavo Guedes Fontes e o promotor eleitoral Marcílio de Siqueira Pinto, constataram a prática generalizada de boca-de-urna por parte dos cabos eleitorais do prefeito da Barra.   Vereador mais votado   O candidato do PT Robson Viana foi o vereador mais votado na cidade de Aracaju, com 2,92% dos votos. O segundo lugar ficou com outra petita, Simone Góis, que alcançou 2,06%. Evando Franca, do PTB, ficou em terceiro da lista, com 1,88%, seguido por Elber Batalha Filho, do PSB, com 1,72% e Dr. Gonzaga, do PMDB, com 1,65%.   Matéria ampliada às 23h31

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