Colegas censuram Barbosa, que não se retrata com Lewandowski

Ministros do Supremo Tribunal Federal censuraram ontem o presidente da Corte, Joaquim Barbosa, pelo comportamento na sessão da semana passada, quando criticou o ministro Ricardo Lewandowski e o acusou de fazer "chicana" em favor dos condenados por envolvimento no esquema do mensalão.

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2013 | 02h03

Barbosa não quis se retratar, mas logo no início da sessão, negou que tenha impedido um colega de votar e afirmou que seu compromisso é com a celeridade e transparência do julgamento.

"Como presidente desta Corte tenho a responsabilidade de, respeitados os direitos fundamentais, zelar pelo bom andamento dos trabalhos, o que inclui a celeridade dos trabalhos, uma vez que Justiça que tarda não é Justiça", afirmou. "É dever do presidente adotar todas as medidas ao seu alcance para que o serviço da justiça seja transparente, célere, sem delongas, até mesmo em respeito à sociedade que é, afinal, quem paga nossos salários."

Lewandowski, por sua vez, disse que dava o episódio por superado.

Apesar do discurso do presidente, ministros insistiram na defesa de Lewandowski. Decano do tribunal, o ministro Celso de Mello se prontificou, nos últimos dias, a apaziguar os ânimos e fazer um desagravo a Lewandowski. Foi uma forma de pôr fim à crise gerada pelo bate-boca na sessão da semana passada, conflito que prosseguiu fora do plenário com troca de acusações e ameaças.

Celso de Mello ressaltou que aquele era "um pronunciamento que jamais deveria ser feito", mas que decidiu fazê-lo em razão da repercussão e consequências da discussão da semana passada. Ele saiu em defesa de Lewandowski e afirmou que o voto divergente precisa ser respeitado pelos demais.

"Ninguém tem o poder de cercear a livre manifestação dos ministros que integram o STF."

Barbosa, que já havia se pronunciado no começo da sessão, retrucou. "Longe de mim a vontade de cercear a livre expressão de qualquer membro desta Corte. Reafirmo aquilo que tive como norte, como direção, durante aquele episódio. Ou seja, a minha deliberação no sentido de evitar maiores delongas."

A crítica mais severa veio em seguida e foi feita pelo ministro Marco Aurélio. "Censurar posturas diversas daquela que se tem e, a um só tempo, alardear modernidade e pluralidade soa, no mínimo, como hipocrisia", afirmou. E acrescentou, dirigindo-se diretamente a Lewandowski: "Siga em frente! Caminhamos rumo à quadra em que a coragem de dizer as próprias verdades não será motivo de assombro".

Depois de ouvir as críticas, Barbosa ironizou: "Vamos trabalhar". / F.R. e M.G.

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