Citada em grampo, auxiliar de Marconi deixa cargo

Eliane Pinheiro, chefe de gabinete do governador de Goiás, teria recebido informações da ação da PF contra Cachoeira

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2012 | 03h06

A chefe de gabinete do governador tucano Marconi Perillo, Eliane Pinheiro, é a primeira vítima das denúncias envolvendo o contraventor Carlos Cachoeira no governo de Goiás. Investigação da Polícia Federal mostrou que Eliane recebeu informações sigilosas de operações policiais do chefe da organização.

Ontem, com a assessora já demitida, Marconi iniciou uma operação de contenção de crise dentro do PSDB. Procurou tranquilizar a cúpula do partido, garantindo que teve acesso a todo o inquérito da Operação Monte Carlo da Polícia Federal e que nada consta nele que o envolva pessoalmente. Apesar do voto de confiança manifestado pelo tucanato, nos bastidores o clima ainda é de preocupação por ter a investigação chegado à chefia de gabinete do governador.

Em conversas reservadas, o próprio Marconi explicou que sua ex-chefe de gabinete só foi gravada duas vezes pela PF em conversas telefônicas com Carlinhos Cachoeira. Na tentativa de explicar as razões de Eliane ter recebido informações de Cachoeira sobre uma outra operação da PF para investigar prefeituras de Goiás, o governador contou apenas como Eliane foi parar na chefia de gabinete.

Relatos do governador dão conta de que Eliane trabalhou "por muito tempo" como secretária do ex-deputado Fernando Cunha, que comandava a Secretaria de Assuntos Estratégicos de Perillo e morreu em novembro passado. Segundo o governador, Eliane teria se aproximado de Cachoeira neste período porque o empresário tinha parentesco com Fernando Cunha.

O primeiro a falar com Marconi, ontem, foi o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR). "Serei questionado pela imprensa e preciso saber sua versão", afirmou o senador. Ao final da conversa, Dias se disse impressionado com a tranquilidade de Marconi, que repetiu não haver nada contra ele no inquérito.

Cautela. Depois do susto com o tamanho do envolvimento do senador Demóstenes Torres com Cachoeira, o tucanato está cauteloso. O senador Aécio Neves (MG), por exemplo, apoiou a iniciativa de Dias de pedir esclarecimentos. "A situação do Congresso como um todo é muito ruim", desabafou o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), para quem a única beneficiária do escândalo decorrente da prisão de Cachoeira é a presidente Dilma Rousseff.

"Como o Demóstenes era um dos mais destacados senadores na defesa da ética e da moralidade, só sobra a faxineira-mor, que é a Dilma", diz o senador paulista, para quem a credibilidade do Congresso ficou ainda mais abalada depois desse caso. "Se o nome de Bernardo Figueiredo para a Agência Nacional de Transportes Terrestres fosse votada agora, a indicação não seria recusada", concluiu.

O mais firme em defesa de Marconi no PSDB é o presidente nacional do partido, deputado Sérgio Guerra (PE). "O que houver para investigar, vamos investigar. Confio no Marconi. Ele está muito seguro, e eu também."

Guerra disse que estranha o vazamento seletivo, sempre com o foco na oposição. "É evidente que alguém está sendo protegido nesses vazamentos", acusa o presidente tucano, que estranha a publicidade em torno dessa operação às vésperas do julgamento do mensalão no STF.

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