Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Ciro precisa falar com eleitorado polarizado para chegar ao 2º turno, diz Cid Gomes

De acordo com Cid, o irmão tem 'o melhor' dos dois e, por isso, o ideal é dialogar com 'antipetistas' e 'anti-bolsonaristas' na reta final

Renan Truffi , enviado especial, O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2018 | 16h02

FORTALEZA - Ex-coordenador da campanha de Ciro Gomes (PDT) à Presidência e candidato ao Senado pelo Ceará, Cid Gomes (PDT-CE) acredita que apenas com os eventuais votos úteis de Marina Silva (Rede) e Geraldo Alckmin (PSDB) o irmão não conseguirá chegar ao segundo turno das eleições presidenciais. Para o pedetista, é fundamental Ciro conseguir reverter votos de Jair Bolsonaro (PSL) e de Fernando Haddad (PT) nas últimas horas de campanha. De acordo com Cid, o irmão tem "o melhor" dos dois e, por isso, o ideal é dialogar com "antipetistas" e "anti-bolsonaristas" na reta final.

"O que seria suficiente é tirar (votos) dos dois nessa zona de intersecção que existe entre Ciro com Bolsonaro e Ciro e Haddad. É melhor falar com o eleitor anti-PT e anti-Bolsonaro do que falar com o eleitor do Alckmin, que já minguou", afirmou à reportagem do Broadcast Político.

Segundo Cid, o presidenciável do PDT tem a "zona de intersecção" tanto com os eleitores de Bolsonaro quanto com os eleitores petistas, mas sem carregar os problemas de ambos os candidatos. "Temos uma coisa em comum [com Haddad] que é sensibilidade com as políticas sociais dirigidas aos mais pobres. E não temos em comum [com Haddad] essa coisa do partido, o PT. O PT é um partido hegemônico e, no poder, acaba colocando o País em risco. Coloca em risco princípios éticos, princípios de honestidade, coisa que o Ciro não tem. O Ciro tem o lado bom da candidatura do Haddad sem ter o lado ruim."

O mesmo argumento vale para o presidenciável do PSL. "Em relação a Bolsonaro, a intersecção entre Ciro e ele é essa coisa da autoridade. Muita gente acha que o comando do País está frouxo e o Ciro preza esse valor de autoridade, de comando, mas não tem a coisa odienta, o sectarismo, a visão equivocada [do Bolsonaro] em relação a minorias", complementou Cid.

Ex-ministro da Educação no governo Dilma Rousseff, Cid também afirmou que "duvida" da habilidade de Haddad para negociar com o Congresso Nacional, caso o petista seja eleito presidente. "Uma coisa é você ser ministro, funcionário de Estado e o Haddad foi muito bem nessa função, um excelente ministro. Muitas das iniciativas lá [no MEC] foram frutos do talento dele, eu sei disso. Eu duvido de habilidades do Haddad nessa linha [relação com o Congresso]. A gestão dele foi reprovada por 84% da população de São Paulo", afirmou.

Líder das pesquisas de intenção de voto para o Senado no Ceará, Cid também disse que, se eleito, será oposição ao Bolsonaro, caso o presidenciável do PSL também vença o pleito. "Eu, de partida, se o Bolsonaro for eleito, e eu também, serei oposição, mas jamais serei oposição total. Eu vou ver cada medida e procurar avaliar cada uma delas (proposições)", ponderou. 

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