Thiago Gadelha/AFP
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Ciro indica apoio a Haddad: 'ele não, sem dúvida'

'Não posso demorar uma semana (para decidir sobre apoio no segundo turno), não', declarou o candidato derrotado

Renan Truffi, enviado especial, O Estado de S.Paulo

07 Outubro 2018 | 23h04

FORTALEZA - O candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, descartou neste domingo, 7, qualquer possibilidade de apoiar Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno contra o candidato do PT, Fernando Haddad. Dizendo estar "cheio de gratidão", Ciro não quis adiantar, no entanto, se apoiará o petista. "(Vejo a polarização) com muita angústia e preocupação. Vamos esperar o resultado das eleições, mas o Ceará é um Estado muito politizado, eu estou avisando. Não posso demorar uma semana (para decidir sobre apoio no segundo turno), não. Eu costumo decidir as coisas assim, mas é que agora eu represento um conjunto muito grande de forças. Então eu quero anunciar por mim, o meu espírito é continuar fazendo o que eu fiz a minha vida inteira: lutar em defesa da democracia e contra o fascismo. Ele (Bolsonaro) não. Sem dúvida", disse.

Em rápida entrevista em frente a sua casa, em Fortaleza (CE), Ciro afirmou que agora vai comemorar a reeleição, no primeiro turno, do governador Camilo Santana (PT), que chamou de "superlativa", e a vitória de seu irmão Cid Gomes (PDT) para o Senado, ambos de sua base de apoio no Estado. "Vamos agora tomar uma para espalhar o sangue. (...) Eu estou cheio de gratidão pelos milhões de brasileiros que aceitaram a minha mensagem, estou especialmente agradecido pelo Ceará, estado que me conhece de perto, sabe dos meus defeitos, das minhas humanidades", completou.

Há dez dias, o presidenciável do PDT, na tentativa de se cacifar para uma vaga no segundo turno, vinha criticando Haddad e tentando se distanciar do PT em busca de eleitores do centro. A estratégia do PDT representou um realinhamento do discurso do candidato, que chegou a fazer deferências ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Lava Jato, por inúmeras vezes ao longo da campanha.

Além disso, Ciro sempre se colocou mais à esquerda em entrevistas e debates, quando o PT ainda mostrava dificuldades para transferir votos de Lula para Haddad. Em sabatina realizada pelo Estado, no início de setembro, o candidato do PDT chegou a dizer que, se tivesse que escolher entre "coxinhas" e "mortadelas", ele preferiria o lado dos "mortadelas".

Estratégia. Até a divulgação dos resultados ontem, o discurso na campanha de Ciro era otimista. Partidários do presidenciável apostavam que ele poderia virar na última hora, movimento que, segundo eles, não teria sido percebido por institutos de pesquisa.

Em tom de confiança, Ciro chegou a dizer que estaria no segundo turno. "Estou dizendo para vocês que o segundo turno vai ser diferente. Vou unir o povo brasileiro se eu passar. Estou pedindo a bola, me deslocando, estou na área e o Haddad está no impedimento. Se passar para mim, faço o gol", afirmou, usando analogia com o futebol.

Ainda assim, dirigentes da campanha sabiam que apenas os votos de Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede), se herdados pelo pedetista, não seriam suficientes para garantir a ida de Ciro ao segundo turno. A ideia era conseguir votos de "antipetistas" e "anti-Bolsonaristas".

A consolidação do terceiro lugar acabou esvaziando um ato que seria realizado ontem à noite no comitê de campanha, em Fortaleza. Assim que os dados de apuração das urnas apontaram para um segundo turno entre Bolsonaro e Haddad, eleitores e militantes deixaram o local.

A campanha de Ciro colocou um telão para que o público pudesse acompanhar o resultado em tempo real, mas nem mesmo dirigentes da campanha, do partido ou candidatos da legenda apareceram no comitê. Por volta das 21h, a página de Ciro no Facebook foi atualizada com a frase: "Muito obrigado, Brasil".

Ciro votou em sua seção eleitoral por volta das 9h, no bairro de Praia de Iracema. Depois foi para seu apartamento. 

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