Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Ciro e Lula disputam apoio de Marina na eleição

Ex-ministra é citada como opção de vice de pedetista; ala da Rede defende aliança com PT

Luiz Vassallo, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2022 | 05h00

O pré-candidato do PDT à Presidência, o ex-ministro Ciro Gomes, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apontado como nome do PT na eleição presidencial, disputam o apoio da ex-ministra Marina Silva (Rede). O pedetista é mais enfático e a convidou para ser sua vice – os dois mantiveram relação próxima nos últimos anos.

Como mostrou o Estadão ontem, uma eventual chapa com Marina, que obteve 1% dos votos na eleição em 2018, já tem nome: “Cirina”. O presidente do PDT, Carlos Lupi, afirmou que tem conversado com a ex-ministra, mas disse que, por enquanto, não há uma definição. “Não avançou. Está em discussão. Não tem nada fechado. Tem uma discussão interna deles, uma divisãozinha também (na Rede)”, declarou Lupi ao Estadão. Nesta sexta, no lançamento da pré-candidatura, Ciro disse que “é cedo” para falar em vice, mas elogiou a ex-ministra.

A Rede está rachada. Ontem, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) se reuniu com Lula em São Paulo. Ele é um dos que defendem a aliança com o PT e tem sido o principal interlocutor entre o ex-presidente e Marina.

A ex-ministra rompeu com Lula em 2009, por divergências internas no governo – ela foi ministra do Meio Ambiente. A relação com o PT naufragou de vez em 2014, quando Marina foi alvo de uma agressiva campanha eleitoral elaborada pelo marqueteiro João Santana, que hoje trabalha para a campanha de Ciro Gomes.

Marina nunca perdoou. Nos últimos anos, chamou Lula de “corrupto” e tem dado declarações, nos últimos meses, favoráveis a uma “terceira via” nas eleições. Em entrevista mais recente ao jornal O Globo, reclamou da falta de “autocrítica” do PT. Ao Estadão, interlocutores de Lula afirmam que o ex-presidente tem apostado no argumento de que ambos tiveram uma história longeva na política, e que o problema principal de Marina diz respeito apenas à campanha de Dilma Rousseff.

Se no passado, João Santana, que chegou a ser preso por recebimento de caixa 2, dinamitou as pontes entre Marina e o PT, hoje, é um ponto de conflito na relação da ex-ministra com Ciro. O contrato de R$ 250 mil mensais com o PDT para alavancar a candidatura de Ciro ao Planalto marcou a reabilitação ao marketing político. Em 2020, quando ainda usava tornozeleira eletrônica, Santana disse não se arrepender da peça publicitária contra Marina em 2014. A ex-ministra tem criticado a aproximação com Ciro. Fontes próximas do ex-ministro dizem que a situação pode ser contornada.

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