Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Ciro diz que tem 'confiança cega' em Lupi em entrevista no Jornal Nacional

Perguntado sobre a coerência de seu discurso anticorrupção, candidato contesta informação de que o presidente do PDT é réu; Lupi responde por ação de improbidade administrativa na Justiça do DF

O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2018 | 21h16

Em entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo, na noite desta segunda-feira, candidato do PDT à Presidência nas eleições 2018, Ciro Gomes, confrontou a afirmação do apresentador William Bonner de que o presidente de seu partido, Carlos Lupi, é réu em um processo no Distrito Federal e reafirmou a confiança total no dirigente. “Carlos Luppi tem minha confiança cega”, disse Ciro.

O candidato respondia a uma pergunta de Bonner sobre a possível contradição entre seu discurso de combate à corrupção e o fato de ter dito que Lupi pode ter “o cargo que quiser” em um eventual governo do PDT - o apresentador listou as pendências do dirigente com a Justiça: inquérito do Ministério Público Federal por compra de apoio no governo Dilma Rousseff, acusação de receber R$ 100 mil em propina no esquema do ex-governador do Rio Sérgio Cabral, uma recomendação de demissão por parte da Comissão de Ética Pública e o fato de ser réu em um processo na Justiça do Distrito Federal.

“Tenho certeza que ele é um homem de bem. Réu ele não é”, disse Ciro.

“Estou lhe dizendo que ele é réu”, rebateu Bonner.

Na verdade, Lupi é réu em ação civil por improbidade administrativa na Justiça Federal do Distrito Federal.  A ação corre na 6ª Vara de Brasília. A juíza responsável é Ivani Silva da Luz. A acusação foi oferecida em 2012 e aceita em 2015. O caso remonta à gestão de Lupi no Ministério do Trabalho e Emprego, no primeiro governo Dilma Rousseff (mais informações abaixo).

Constam como corréus de Lupi o atual deputado federal Weverton Rocha (PDT-MA), então assessor de Lupi no gabinete e hoje candidato ao Senado, o então secretário de políticas públicas de emprego Ezequiel Sousa do Nascimento, também do PDT, e Adair Antônio de Freitas Meira, dirigente da Fundação Pró Cerrado e da Rede Nacional de Aprendizagem Promoção Social e Integração (Renapsi), além das próprias entidades.

Em nota, Lupi afirmou que, “em mais de 30 anos de vida pública”, jamais respondeu “a nenhum processo criminal e/ou fui investigado por corrupção”. “Reforço que sou ficha limpa e não aceitarei que meu nome seja citado sem o devido esclarecimento, na tentativa de me igualar a políticos sob investigações gravíssimas de corrupção e com o claro objetivo de prejudicar a candidatura do combativo Ciro Gomes à Presidência do Brasil”, disse. Ciro se comprometeu a fazer esclarecimentos em sua página na internet.

Ainda sobre seu discurso anticorrupção, desta vez comparado aos ataques à equipe do governo de Michel Temer (MDB), Ciro disse que "os valores que defende são os mesmos. Temer foi acusado pela Procuradoria-Geral da República e pelo Supremo. É acusado formalmente pela PGR por corrupção. Temer tem ao seu lado Cunha e Geddel, presos, e Padilha e Moreira Franco, todos notórios corruptos da vida brasileira."

Lula não é um satanás, nem um Deus, afirma Ciro

Além de reiterar a confiança no presidente de seu partido, Ciro defendeu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, registrado como candidato pelo PT, que cumpre pena em Curitiba por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. “Para mim o Lula não é um satanás como certos setores da imprensa e da opinião brasileira pensam e também não é um Deus, anjo como certos setores metidos a religiosos do PT pensam”, disse.

Segundo pesquisas, Ciro é um dos candidatos que mais herdam votos de eleitores de Lula quando o petista for impedido de disputar a eleição. “O Lula foi um bom presidente para o Brasil e o povo brasileiro sabe disso. Da Dilma para cá aquilo foi perdido mas isso não quer dizer que a gente deva rasgar a história nem comemorar o fato de ter o maior líder popular do país preso”, disse o pedetista.

Ciro chegou a comparar a escolha da senadora ruralista Katia Abreu (TO) à chapa formada por Lula e o ex-vice-presidente José Alencar, empresário, que venceu as eleições de 2002 e 2006. Além disso, o candidato aproveitou a entrevista para entregar aos entrevistadores uma cartilha que detalha a promessa de ajudar a limpar os nomes dos mais de 60 milhões de brasileiros endividados.

"Se tiver como premissa a ideia de que eu seria candidato para tentar unir as esquerdas, (tê-la como vice) não tem explicação. Mas sou candidato porque passei os últimos três anos pensando em como reunir os interesses de quem produz com quem trabalha. Ela conhece a agricultura brasileira como poucos. Votou contra o golpe, contra a reforma trabalhista. Nós nos complementamos. Não há incoerência. Não parece o Lula com o José Alencar?"

Quem são os candidatos à Presidência da República?

Carlos Lupi é réu por ter avião fretado pago por dirigente de ONG

Personagem do bate-boca transmitido ao vivo no Jornal Nacional, Carlos Lupi é réu em ação por improbidade administrativa na Justiça Federal do Distrito Federal. A ação civil de improbidade administrativa contra Lupi corre na 6ª Vara de Brasília. A juíza responsável é Ivani Silva da Luz. A acusação foi oferecida em 2012 e aceita em 2015. O caso remonta à gestão de Lupi no Ministério do Trabalho e Emprego, no primeiro governo Dilma Rousseff.

Constam como corréus de Lupi o atual deputado federal Weverton Rocha (PDT-MA), então assessor de Lupi no gabinete, o então secretário de políticas públicas de emprego Ezequiel Sousa do Nascimento, também do PDT, e Adair Antônio de Freitas Meira, dirigente da Fundação Pró Cerrado e da Rede Nacional de Aprendizagem Promoção Social e Integração (Renapsi), além das próprias entidades.

Meira e as entidades tinham vínculos com o ministério para recebimento de verba e fretaram um avião para que Lupi e os demais pedetistas percorressem, em dezembro de 2009, sete cidades no Maranhão, em agenda oficial do governo. O custo do tour foi de R$ 30 mil. Eles são acusados de ter recebido vantagem indevida – a passagem paga por terceiros, em vez de custeadas pela União.

O Ministério Público Federal afirmou que o pagamento ocorreu em troca de benefícios em contratos na pasta. Os acusados negaram ter praticado ato de improbidade administrativa. O processo ainda está em fase de produção de provas, sem prazo para julgamento final. /MATHEUS LARA, RICARDO GALHARDO, PEDRO VENCESLAU E FELIPE FRAZÃO

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