DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Ciro diz que reajuste de servidores é 'bofetada no rosto da população'

Candidato do PDT, que cumpriu agenda de campanha na Unicamp, em Campinas,  também defendeu uma ação mais efetiva do governo para acolher refugiados venezuelanos

Cláudio Liza Junior - Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2018 | 17h47

CAMPINAS - O candidato do PDT à Presidência nas eleições 2018, Ciro Gomes, chamou nesta quinta-feira, 30 de "uma bofetada no rosto da população" o aumento de salários a ministros do STF e servidores federais, medida que considerou vergonhosa em virtude da crise nas contas públicas. Ciro, que cumpriu agenda de campanha na Unicamp, em Campinas,  também defendeu uma ação mais efetiva do governo para acolher refugiados venezuelanos e a mediação de uma solução para o conflito no país vizinho.

O pedetista relacionou o reajuste a uma "falta de compostura da elite brasileira" e o qualificou de "vergonhoso". "Não é que o salário seja grande, eu acho que os juízes têm que receber salários crescentes, os maiores possíveis, e acho francamente uma impostura ficar falando mal de salário", disse. "Eu estou falando agora é da ocasião, volto a repetir, temos 13,7 milhões de brasileiros desempregados, 32 milhões de brasileiros vivendo de bico, na informalidade, correndo da repressão, 60 mil mulheres foram estupradas no Brasil nos últimos 12 meses sem nenhuma punição."

O presidente Michel Temer definiu  reajuste de 16,38% ao Judiciário, com acordo junto ao STF (Supremo Tribunal Federal) pelo fim do auxílio-moradia pago aos magistrados, para tentar equilibrar os gastos com o aumento de salários. O reajuste para os servidores federais, que poderia ser adiado, acabou mantido.

Ciro sugere  intermediação na crise venezuelana

Sobre a crise na Venezuela, Ciro o governo de Nicolás Maduro para intermediar soluções "sem alisar o regime". "Evidente que não (fecharia a fronteira à entrada de venezuelanos), nosso país é construído por mão de obra escrava, que foi violentamente trazida de forma desumana da África pra cá. É um país que foi criado por ondas migratórias muito importantes na história da humanidade", afirmou o pedetista. "O Brasil tem que cumprir a sua tarefa, de natural líder da região, e mediar aquele conflito. Nesse momento a gente tem de fazer tudo que esteja a nosso alcance, mesmo sendo pobres, como somos, para ajudar aquelas pessoas que estão em pior situação, que perderam sua comida, perderam sua casa, estão saindo de seu país com muita dor, procurando um refúgio humanitário."

Ciro criticou também a decisão do governo americano de separar filhos de imigrantes brasileiros dos pais. "Outro dia o senhor Trump separou crianças brasileiras de seus pais, em jaula como se fosse animal, e esse tipo de comportamento é nazista", afirmou.

Candidato defende apoio à comunidade acadêmica

Ciro fez uma visita ao Laboratório de Genômica e Proteônica da Unicamp, onde falou à comunidade acadêmica, e defendeu mais investimentos em pesquisa, como a dos biocombustíveis. Uma alternativa de recursos, segundo ele, é a revogação do teto de gastos implementado pelo governo Temer.  Ele voltou a fazer uma alusão indireta ao adversário Jair Bolsonaro (PSL), afirmando que a política nacional está cultivando "Hitlerzinho". A expressão já havia sido usada por ele ao falar sobre Bolsonaro nesta quarta-feira, em agenda em Brasília.

"A lucidez não está na política, ela recolhe a lucidez, e a lucidez e se empodera com os rumos que a população dá", afirmou. Segundo o pedetista, as universidades são "essa lucidez", mas estão apartadas do desenvolvimento nacional e deveriam ser priorizadas.

"Ontem estive na reunião com os reitores. Eu tinha que ir ou na reunião com a Confederação Nacional da Agricultura, que são os poderosos, os barões do agronegócio, ou entre os reitores. Eu cancelei a ida na CNA e fui nos reitores, fui o único, mas os meus adversários não estão percebendo. O Brasil está em uma encalacrada tão grave, tão sofisticada, que ou a gente pede socorro ao pensamento universitário ou o país vai para o brejo mesmo", disse à plateia de professores e alunos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.