Helvio Romero/Estadão
Helvio Romero/Estadão

Ciro diz que há muita intriga e especulação sobre possível aliança com DEM

Em evento, presidenciável do PDT defendeu o diálogo e a conversa com forças de diferentes setores

Marianna Holanda, Gilberto Amendola e Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

18 Junho 2018 | 13h24

SÃO PAULO - O pré-candidato à Presidência da República Ciro Gomes disse nesta segunda-feira, 18, durante o Fórum Unica (União da Indústria de Cana de Açúcar), que existe muita "especulação e intriga" sobre a possibilidade de o DEM apoiar sua candidatura. "Muita especulação. E, em cima da natural especulação que é sinal dos tempos, muita intriga. O DEM tem um candidato à Presidência da República, o Rodrigo (Maia)". 

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Ciro disse que enquanto Maia for postulante ao Planalto as conversas serão comuns. Ele disse que são conversas "de um candidato a presidente que sabe que tem duas etapas". Segundo ele, a primeira seria ganhar a eleição para "interromper esse itinerário de tragédia que está infelicitando a nação brasileira", enquanto a outra seria governar de fato. "Nenhum partido no Brasil vai fazer mais que 10% da Câmara. É imperativo que qualquer um de nós abra o diálogo, e converse com forças diferentes daquelas que você representa".

Em entrevista a Rádio Jovem Pan, quando questionado sobre uma eventual parceria com o DEM, Ciro falou das dificuldades de acordo com o partido usando como exemplo o vereador Fernando Holliday (DEM-SP). "Esse Fernando Holiday aqui é um capitãozinho do mato. Porque a pior coisa que tem é um negro usado pelo preconceito para estigmatizar, que era o capitão do mato no passado".

No Forum Unica, Ciro foi questionado sobre ter chamado o vereador Holliday de "capitão do mato". Ele citou dois pontos da atuação de Holliday que justificariam sua fala: a iniciativa de acabar com o Dia da Consciência Negra e a apologia pelo fim das cotas. "Portanto, capitão do mato, aqui, é uma metáfora segura que eu tenho que ele faz esse papel em pleno século 21". Confrontado pelo fato de Holliday ser do partido do amigo Rodrigo Maia, Ciro responde apenas: "Pois é".

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Durante o Fórum, Ciro disse que o economista Paulo Guedes, um dos coordenadores de campanha do também pré-candidato Jair Bolsonaro (PSL) é um "liberal tosco de Chicago que abomina subsídios". 

A alfinetada em Guedes se deu no contexto da defesa, pelo pré-candidato, de um novo projeto nacional desenvolvimentista. "Com um estado forte, mas não gordo".  "Isso não ocorrerá se ficarmos no mito que o setor privado vai reverter tendências sem uma parceria estratégica com o estado", completou.   

Quando perguntado sobre sua relação com o "mercado", Ciro respondeu dizendo que está sentindo necessidade de a imprensa ajudar a explicar para o povo que mercado é uma palavra muito ampla. "Tenho um compromisso profundo, orgânico, central ao meu projeto com o mundo que produz. Tenho compromisso com a reindustrialização do Brasil, com o comércio, com o turismo, agropecuária. Porque é aquilo que gera riqueza". 

Já o mercado financeiro seria uma pequena parcela a quem, segundo Ciro, se atribuem "poderes superiores ao da democracia". "Esta tutela eu não aceito, mas não tenho estigma contra ninguém", afirmou. 

Na política externa, Ciro criticou o fato do País ter, segundo ele, aberto mão de mediar a crise na Venezuela. "O Brasil tinha um superávit comercial com a Venezuela de R$ 5 bilhões. Quando abrimos mão do nosso papel natural de mediador, abrimos mão também de um parceiro bilateral", disse. Sobre a crise econômica na Argentina, disse que "o FMI tirou mercado, tirou o filé e a alma do País" e que "a Argentina vai para a agonia de novo. Não é isso que queremos para o Brasil". 

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