NELSON ALMEIDA / AFP
NELSON ALMEIDA / AFP

Ciro diz que aceitaria apoio de Alckmin e Marina ainda no primeiro turno

Candidato do PDT vê propostas que poderiam ser agregadas à sua campanha e volta a criticar polarização entre PT e Bolsonaro

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2018 | 12h27

O candidato do PDT à Presidência nas eleições 2018, Ciro Gomes, disse nesta terça-feira, 3, que aceitaria o apoio de outros rivais na disputa para tentar chegar ao segundo turno, como Marina Silva, da Rede, e Geraldo Alckmin, do PSDB. O pedetista ressaltou, no entanto, que seria uma "indelicadeza" partir dele este movimento. Além disso, Ciro ainda afirmou que Jair Bolsonaro, candidato do PSL, "é mais falso que nota de R$ 3" e que os filhos dele "são ovinhos de nazitoides". 

"Eu não gosto de oportunismo. Eu estou na política porque gosto da inteligência do povo", disse Ciro em São Paulo. "Não posso cometer a indelicadeza de pedir a meus adversários que abram mão de suas candidaturas."

O pedetista disse também que pode incorporar pautas de Marina e de Alckmin em sua campanha. "A Marina é uma pessoa que trabalhou para o Brasil a vida inteira. Do Alckmin, posso adotar algumas coisas. O IVA (Imposto sobre Valor Agregado), por exemplo, é uma proposta minha. Se eu for procurado, aceito o apoio deles." 

Ciro voltou a criticar a polarização entre os candidatos do PT, Fernando Haddad, e do PSL, Jair Bolsonaro. Em sua avaliação, "o País está sendo destruído pela política" e é preciso que a campanha retorne a uma discussão programática. " O PT criou o Bolsonaro e o Bolsonaro criou o PT", disse. "O meu pedido é a todos os indecisos que, tendo uma preferência, admitam mudar de voto."

O candidato do PDT voltou a falar sobre a marcha de sábado, 29, contra Bolsonaro em diversas capitais do País, que, em sua avaliação, teve um erro de posicionamento que permitiu a ascensão de Bolsonaro nas pesquisas de opinião. 

"O ato das mulheres foi a coisa mais linda que aconteceu. A política tem coisas que a gente só vê depois. Eu percebi só depois que quando demos a ideia de 'ele não' acabamos trazendo uma polarização que não ajuda nossa causa", disse. "Agora é hora de dizer sim. O erro foi de posicionamento de marketing. Não tem 'ele não' na urna. Tem 12, 13, 18. Assumam o sim para o seu se não for para mim."

Ciro ainda descartou abrir mão de alguns direitos trabalhistas para diminuir o desemprego. "Nenhum direito (trabalhista) a menos", afirmou. "Precisamos achar um caminho inteligente estudando as boas práticas internacionais, como a China e Alemanha."

 No final da entrevista, o candidato instou Bolsonaro a comparecer no debate da Globo, dizendo que "atestado médico falso é crime".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.