Cidade rendia R$ 250 mil por dia ao esquema

Maioria das cerca de 5 mil pessoas ligadas ao grupo de Cachoeira atuava em Anápolis e região

ANÁPOLIS, O Estado de S.Paulo

10 Junho 2012 | 03h12

Dados da Polícia Federal estimam que o esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlos Cachoeira, contava com cerca de 5 mil pessoas em Goiás. A maioria atuava na região de Anápolis, o que rendia, só na cidade goiana, cerca de R$ 250 mil por dia.

Mas o "polo dos jogos" não movia sozinho a economia de uma cidade que começou a prosperar com as olarias de tijolos vendidos para as obras da construção de Brasília. No tempo da ditadura e dos movimentos guerrilheiros no interior goiano, a cidade ganhou um "polo de segurança nacional", com a criação da Base Aérea de Anápolis. Depois, surgiram o polo industrial, que conta com 160 fábricas, o polo universitário, um porto-seco de cargas e o ponto zero de duas ferrovias.

Perto da Praça do Avião, que ostenta a carcaça de um Mirage apontada para o céu, reduto do comércio popular, Gabriela Letícia da Silva diz não ter dúvidas de que a crise política derrubou as vendas na sua loja de roupas íntimas. E diz que a crise reduziu o faturamento do Dia das Mães. "O dinheiro girava mais. O problema é a parte política."

Elvis Martins, gerente de uma rede de lojas de calçados, diz estar convicto de que o escândalo político se refletiu no movimento. "Em 2008, com o início da crise internacional, a gente sentiu os efeitos nas vendas. Mas o ritmo vinha bem até fevereiro deste ano." Ele estima uma queda de 25% nos negócios. Altair José Cesário, gerente de uma loja de móveis, diz que o escândalo Cachoeira é "desculpa" do comércio. "As pessoas dizem que Cachoeira é o problema. Mas no Brasil inteiro o mercado pisou no freio", diz.

Polo industrial. O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Anápolis, Reinaldo de Castro Del Fiaco, avalia que a queda no comércio da cidade de três meses para cá não pode ser creditada à crise política. Mas reconhece que o sentimento dos comerciantes reflete a crise, sobretudo em relação à expansão ou não do polo industrial de Anápolis. Neste ano, o Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia) não apresentou redução de ofertas de trabalho - hoje, o parque emprega 5 mil pessoas. Del Fiaco observa que o comércio cresceu em níveis elevados mas enfrentou vários fatores negativos. / L. N.

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