'Cidade Limpa é fazer lixo virar energia'

Candidato do novato PPL quer instalar miniusinas domésticas, elogia Lula e afirma que Dilma não tem 'política industrial'

GUILHERME WALTENBERG, AGÊNCIA ESTADO, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2012 | 03h06

Com discurso pautado pela necessidade de rever a política industrial do Brasil, o candidato a prefeito de São Paulo Miguel Manso, do recém-criado PPL, defendeu a criação de um sistema que transformaria lixo orgânico em energia nas próprias casas dos paulistanos. A proposta seguiria um modelo que está em fase de licitação em São Bernardo do Campo. "Esse é o Cidade Limpa de verdade", disse, referindo-se à lei criada pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD) para regular a publicidade visual.

Ao participar da série Entrevistas Estadão, Miguel afirmou que o projeto de pequenas usinas termelétricas reduziria o atual custo da Prefeitura com coleta e destinação de lixo. "Não requer instalação de rede de esgotos, não tem componentes químicos, não tem odor", disse.

Para o candidato do PPL, a política municipal para lidar com o lixo apresenta problemas desde a gestão Marta Suplicy (2001-2004), passando por José Serra (2005-2006) e Kassab (desde 2006). "Hoje, a preocupação é fiscalizar. Nossa ideia é solucionar. Teve até prefeito que criou taxa para recolher o lixo (Marta Suplicy)", afirmou.

Na opinião de Miguel, as atuais gestões municipal e federal são "hostis" ao desenvolvimento industrial. O candidato comparou São Paulo a grandes capitais do mundo e apontou a vocação dessas cidades para "renovar as suas capacidades produtivas para abrigar empresas mais modernas". "(Quero) uma administração parceira da produção, e não hostil. Fiscalizar, multar, pedagiar, controlar. Esses são os verbos da atual administração. A vocação das grandes cidades é industrial", defendeu.

Com militância política ligada à esquerda e filiação ao PMDB até 2009, quando participou da fundação do PPL, Miguel fez elogios ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem atribuiu uma "melhora na economia" brasileira, mas atacou a presidente Dilma Rousseff. "Dilma foi eleita para acelerar a economia. Em vez de acelerar, desacelerou por falta de política industrial. O BNDES é usado para empresas estrangeiras comprarem as nacionais", criticou.

Transporte. Miguel defendeu mudar o sistema de ônibus da cidade, adotando um modelo de "metrô de superfície sobre pneus". A proposta prevê a redução das mais de mil linhas atuais para 45 itinerários principais em cinco anéis circulares conectando as linhas. "O projeto está desenhado, orçado. Começaremos a implantar em seis meses em parceria com as (empresas que detém as) concessões atuais." Na educação, Miguel defende o fim da progressão continuada e o retorno do "jardim da infância" para crianças de 0 a 6 anos, e "não creche, só para dizer que tem".

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