Cidade do AM tem quebra-quebra após desaparecimentos

Moradores de Humaitá incendiaram barco e prédio da Funai em protesto contra suposto crime de indígenas

BERNARDO CARAM / BRASÍLIA , CHICO SIQUEIRA, O Estado de S.Paulo

27 Dezembro 2013 | 02h06

Um pelotão de 90 homens da Policia Militar do Amazonas chegou ontem a Humaitá, a 600 quilômetros de Manaus, onde cerca de 2.000 pessoas promoveram anteontem um quebra-quebra em protesto contra o desaparecimento de três pessoas supostamente sequestradas por índios da etnia tenharim no dia 16. Homens da Força Nacional também fazem a vigilância da cidade.

Revoltados, os manifestantes, segundo a PM, incendiaram a sede da Funai, da Funasa e ainda queimaram 13 caminhonetes, três motos e um barco. Um segundo protesto, que estava sendo organizado, foi cancelado assim que a PM anunciou para amanhã uma megaoperação na qual Polícia Federal, Exército e Aeronáutica tentarão localizar os três desaparecidos.

O sequestro dos três seria uma represália à morte do cacique Ivan Tenharim, no dia 3 de dezembro, quando passava de moto pela Rodovia Transamazônica. Com a rebelião, cerca de 60 índios que estavam na cidade foram levados pelo Exército, por questões de segurança, para o quartel do 5º Batalhão de Infantaria da Selva.

Apesar da violência em Humaitá, a situação parece ainda mais tensa em Santo Antonio de Matupi, comunidade a 180 quilômetros dali, onde vivem 12.000 pessoas e atuam 34 madeireiras. Ontem, segundo fontes da região, 16 caminhões lotados de moradores de Apuí foram a Matupi participar do protesto. Uma das possíveis ações seria, hoje, o fechamento das rodovias BR-319 e BR-230.

Os três desaparecidos são o técnico da Eletrobrás Amazonas Aldeney Ribeiro Salvador, o comerciante Stef Pinheiro e o professor Luciano Ferreira Freire. Célia Santos Leal, mulher de Aldeney, diz ter "provas concretas" de que foram os índios que sequestraram os três. Um dos 146 índios mantidos no 54º BIS, Rosinho Tenharim, diz que os índios são inocentes. "Estamos sendo atacados injustamente, o que nos entristece muito", afirmou. Moradores da região reclamam que os índios costumam cobrar pedágios de até F$ 100 dos veículos que passam pelo lugar.

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