MANOEL MARQUES/IMPRENSA MG E ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO
MANOEL MARQUES/IMPRENSA MG E ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO

Cidade Administrativa pauta primeiro embate entre Pimentel e Anastasia nas eleições 2018

Uso do complexo, cuja construção é investigada por superfaturamento, alimenta discussão entre rivais nas eleições há uma semana

Jonathas Cotrim, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2018 | 05h00

BELO HORIZONTE - O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), que tenta a reeleição, e o principal pré-candidato da oposição, senador Antonio Anastasia (PSDB), travam há uma semana o primeiro embate direto desde o começo da pré-campanha para as eleições 2018. O pano de fundo são trocas de acusações sobre a administração do Estado, tendo como foco a Cidade Administrativa.

A discussão começou na segunda-feira, 23, quando Anastasia criticou Pimentel por ter fechado o Palácio Tiradentes, um dos prédios do complexo administrativo, e voltado a utilizar o Palácio da Liberdade como sede do Poder Executivo estadual. Em fevereiro, o petista anunciou a decisão alegando que a mudança proporcionaria uma economia de até 40% dos gastos. 

Durante um evento do PSD – um dos partidos que estão na coligação tucana –, o senador declarou que a construção da Cidade Administrativa foi planejada para fomentar desenvolvimento no vetor norte da capital mineira, e, com o fechamento do Tiradentes, Pimentel “fechou os olhos para a região”. 

No dia seguinte, o governador divulgou um vídeo classificando a fala de Anastasia como “conversa fiada”, e disse que a construção da Cidade Administrativa foi “desnecessária”. “Que empresa que foi atraída para aquela região? Nenhuma. Aquilo ali é um símbolo do desperdício”, afirmou. 

Foi a primeira vez, desde o começo da pré-campanha, que o petista respondeu às acusações diretas do tucano. Segundo Pimentel, “só com ar-condicionado” do complexo o governo tem gastos mensais de R$ 10 milhões. Em junho, o Estado revelou que os gastos eram de R$ 9 milhões por mês em despesas como iluminação, limpeza, serviços terceirizados e segurança, segundo dados da Secretaria de Planejamento e Gestão.

Em nota, o PSDB disse que “ou o governador desconhece totalmente as contas do Estado ou quer mentir e mais uma vez enganar deliberadamente o povo mineiro”.

Nesta quinta-feira, 26, também em nota, o diretório estadual do PT lembrou que a Cidade Administrativa é alvo de investigações por suspeita de superfaturamento. No texto, Anastasia é chamado de “demagogo” e por “defender gastos de R$ 2 bilhões em um conjunto de prédios luxuosos absolutamente desnecessários ao povo de Minas”. 

Aécio. A construção do conjunto de prédios inaugurados em 2010 custou R$ 1,3 bilhão e, desde a abertura da nova sede que abriga as secretarias do governo, R$ 603 milhões foram gastos com a manutenção do local. O complexo entrou na mira da Operação Lava Jato após delatores afirmarem que o então governador, Aécio Neves (PSDB), recebeu cerca de R$ 5,2 milhões como propina da Odebrecht. Aécio nega as acusações.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.