Cidade abrigou dois 'núcleos'

A capital mineira é a origem dos condenados por envolvimento com os chamados núcleos publicitário e financeiro do mensalão: o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza; seus ex-sócios nas agências SMPB e DNA, Cristiano de Mello Paz e Ramon Rollerbach Cardoso; a ex-diretora da SMPB Simone Vasconcelos; a ex-banqueira Kátia Rabello, dona do Banco Rural, extinto em agosto pelo Banco Central (BC); e José Roberto Salgado, ex-vice-presidente da instituição financeira.

O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2013 | 02h07

Além deles, possui residência e família em Belo Horizonte o ex-deputado Romeu Queiroz (PSB), condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Todos se entregaram na sede da Polícia Federal no feriado de 15 de novembro e, no dia seguinte, foram levados para Brasília. Outros dois sentenciados que residem na cidade ainda não tiveram a prisão decretada: o advogado Rogério Tolentino e o ex-executivo do Rural Vinicius Samarane.

Até sexta-feira, os advogados de Kátia Rabello, Simone e Romeu Queiroz já haviam solicitado ao Supremo Tribunal Federal a transferência deles para Belo Horizonte. Cristiano Paz também solicitou o retorno para a capital mineira, mas mudou de ideia e decidiu cumprir a pena em regime fechado no Complexo Penitenciário da Papuda. Sua defesa argumentou que o publicitário, após refletir com familiares, concluiu que a melhor alternativa é permanecer na capital federal, onde considera estar em local seguro.

Hobby. Cristiano Paz é um dos personagens do mensalão mais identificados com Belo Horizonte. Desde que o esquema operado pelo sócio Marcos Valério se transformou em escândalo, ele não foi mais visto nas trilhas e provas de motocross, atividade da qual foi um dos precursores e um dos mais animados difusores. "Na hora em que apareceu esse negócio, ficamos assustados. Ele era um cara sensacional, sempre nota dez. Foi um dos primeiros participantes do Enduro da Independência e era bom piloto, bem rápido, e grande organizador de eventos (da área)", afirmou um amigo e ex-piloto que participava de provas com o publicitário. "Não somos da mesma época. Mas ele foi um dos precursores dos enduros e, pelo que sei, era bom piloto", confirma o presidente do Trail Clube de Minas Gerais (TCMG), Gustavo Jacob.

Mas, por obra do destino, foi justamente o Enduro da Independência que também transformou Cristiano Paz em réu, assim como Ramon Hollerbach e Marcos Valério, entre outros, no caso do chamado mensalão mineiro. Segundo a acusação, foi com a justificativa de destinar verbas publicitárias para o evento que foram desviados recursos de estatais mineiras para financiar, em 1998, a campanha à reeleição do então governador de Minas e atual deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB) e de seu candidato a vice, o hoje senador Clésio Andrade (PMDB-MG).

Nessa época, Marcos Valério havia acabado de se juntar em sociedade com Paz e Hollerbach. Antes ele havia sido contratado como consultor pelo então sócio dos publicitários, Maurício Moreira (morto em 1994), e conseguiu resolver as dificuldades financeiras das agências arregimentando a entrada de Clésio como sócio nas duas agências. A boa desenvoltura no negócio também rendeu a Marcos Valério participação nas empresas, das quais Clésio saiu oficialmente para disputar a eleição. A partir de 2005, na esteira da denúncia do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), as agências entraram em rápido declínio até serem fechadas. Os publicitários e o ex-sócio Marcos Valério romperam relações. / MARCELO PORTELA

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