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Cid Gomes diz que PT perderá eleição se não fizer mea culpa e chama militância de 'babaca'

Senador eleito pelo PDT ainda afirmou que Bolsonaro é 'criação' de quem acha que é dono da verdade; coordenador da campanha de Haddad no Ceará diz que atitude foi 'desrespeitosa'

Matheus Lara, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2018 | 07h29

O senador eleito e ex-governador do Ceará Cid Gomes (PDT) disse nesta segunda-feira, 15, em evento do PT em Fortaleza, que o partido do presidenciável Fernando Haddad precisa fazer mea culpa e assumir que fez "muita besteira" - ou perderá a eleição de forma "merecida". O irmão de Ciro Gomes (PDT), que estava na corrida presidencial, ainda disse que Jair Bolsonaro (PSL) é uma "criação" de quem acha que é dono da verdade. A coordenação da campanha petista no Estado classificou a atitude de Cid como "desrespeitosa".

"Tem que fazer mea culpa, tem que pedir desculpa, ter humildade e reconhecer que fizeram muita besteira", disse Cid, ao lado do governador eleito no Estado, Camilo Santana (PT). Vaiado por militantes petistas, Cid apontou para um deles, que fazia sinal de negativo com as mãos, e o confrontou. O vídeo ganhou repercussão nas redes sociais na madrugada desta terça (assista abaixo).

"É assim? Pois tu vai perder a eleição. Não admitir mea culpa é pra perder a eleição e é bem feito", disse Cid. "Quem, junto com ele (militante), acha que fez tudo certo, muito bem, pois vão perder feio. Porque fizeram besteira, aparelharam as repartições públicas, porque acharam que eram dono de um País e o Brasil não aceita ter dono."

Ao ouvir gritos de "Olê olê olá, Lula, Lula!", em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Cid chamou a militância de "babaca". "Quem criou o Bolsonaro foram essas figuras que acham que são donos da verdade, que acham que os fins justificam os meios. Que Lula o quê? O Lula está preso, babaca! E vai fazer o quê? Babaca! Isso é o PT e o PT desse jeito merece perder."

O deputado federal José Guimarães (PT), coordenador da campanha de Fernando Haddad no Ceará, reagiu. "Lamento profundamente a forma desrespeitosa como fomos tratados pelo senador (eleito) Cid Gomes ao criticar o PT em um momento inadequado e que só contribuiu para gerar desconfiança e incertezas da nossa vitória", escreveu em uma rede social. "A eleição está em aberto. Vamos para o confronto e apelamos para que todos os democratas se somem ao esforço de derrotar essa direita representada pela candidatura de Bolsonaro", disse.

O PT tentava se aproximar do PDT e acenou para Ciro Gomes no intuito de trazê-lo para dentro da campanha petista no segundo turno das eleições 2018. Porém, ao contrário do que esperava a campanha de Fernando Haddad (PT), Ciro viajou para a Europa e não vai chefiar a equipe do programa econômico do petista. Ele não deverá subir no palanque com Haddad, muito menos fazer fotos para indicar o "apoio crítico", aprovado em reunião da Executiva nacional do PDT na quarta-feira, 10.

Para se distanciar do PT, o presidente do PDT, Carlos Lupi, já havia antecipado que o partido pretende lançar Ciro Gomes como candidato para 2022, já após o fim do segundo turno. "Não faremos nenhuma reivindicação (junto ao PT). Será um voto claro sem participação na campanha e com a certeza de que não participaremos de nenhum governo, mesmo se Haddad ganhar a eleição. Vamos começar a construir agora 2022, já estamos decididos a lançar a candidatura de Ciro Gomes", afirmou.

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