Cid Gomes 'aconselha' Temer a concorrer ao Senado em 2014

No lugar do peemedebista, governador quer que o PSB ocupe vaga de vice em eventual candidatura de Dilma à reeleição

TIAGO DÉCIMO / SALVADOR, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2012 | 02h06

Em campanha para que o PSB integre a chapa majoritária na eventual candidatura à reeleição da presidente Dilma Rousseff, o governador do Ceará, Cid Gomes, disse que "é mais justo" que seu partido indique o candidato a vice - cargo hoje ocupado por Michel Temer (PMDB). "O PMDB é uma federação de lideranças locais, sem projeto nem unidade nacional - em cada Estado, o partido tem posição diversa, diferente do PSB, que é menor, mas mais coeso", disse Cid.

"Além disso, tudo caminha para que o PMDB presida as duas Casas (Senado e Câmara); acho justo que o PSB também tenha uma participação." Sobre a posição de Temer, Cid sugeriu que ele disputasse uma vaga no Senado por São Paulo. "Teria grande chance de ser eleito e, nesse caso, de assumir a presidência do Senado, o que, para ele, seria até melhor do que ser vice-presidente." Cid salientou ainda que o "nome natural" do PSB ao cargo seria o do governador pernambucano, Eduardo Campos. "É minha posição; ainda não conversei com ele (Campos) sobre isso."

Os dois governadores, junto com outros chefes de Executivos e representantes do Nordeste, de Minas e do Espírito Santo, participaram, na tarde de ontem, da 16.ª Reunião Ordinária do Conselho Deliberativo da Sudene (Condel), que conta também com a presença de Dilma.

O encontro, focado em soluções para o enfrentamento da seca na região, também foi marcado pela defesa,por parte dos governadores nordestinos, da nova metodologia para a partilha dos royalties do petróleo, aprovada pelo Congresso e enviada à sanção de Dilma. "Compreendemos a situação delicada que ela (Dilma) está passando, pela pressão do Rio e do Espírito Santo, mas os recursos têm de ser distribuídos para todo o País", disse Cid. "Além disso, é a única forma de compensação aos outros Estados, após as perdas causadas pela redução do Fundo de Participação dos Estados, resultado da diminuição de contribuições e impostos, como a Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) e o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). No Ceará, o repasse do FPE foi, em outubro, 21% menor do que em outubro de 2011."

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