Cícero Almeida é reeleito em Maceió com mais de 81% dos votos

Candidato do PP consegue ampla vitória sobre Judson Cabral (PT), que teve 10,69%; Solange Jurema fica com 6%

Ricardo Rodrigues, especial para o Estado,

05 de outubro de 2008 | 22h24

O prefeito Cícero Almeida (PP) foi reeleito em Maceió, com 81,49% dos votos válidos do eleitorado maceioense. O resultado confirmou a pesquisa de boca-de-urna divulgada no final da tarde, pelo Instituto Gape, da Organização Arnon de Mello, que apontava a vitória de Almeia com 82,23 % dos votos. Em segundo lugar, ficou o candidato do PT, Judson Cabral, com 10,69% dos votos. A candidata Solange Jurema (PSDB) ficou na terceira colocação, com 6%. Na quarta colocação, com 1,5%, ficou o engenheiro Mário Agra (PSOL), seguido de Manoel de Assis (PSTU), com apenas 0,3% dos votos válidos.   Dos cinco candidatos a prefeito de Maceió, Almeida foi o primeiro a votar. Ele votou por volta das 9h40 na manhã deste domingo, 5, na Escola Estadual José Oliveira Silva, localizada no Conjunto Boa Esperança, na Ponta Grossa. Durante breve encontro com a imprensa, Almeida se mostrou confiante na vitória e denunciou casos de fraude eleitoral em escolas de Maceió.   Veja Também: Cobertura completa das eleições 2008  Especial: Perfil dos candidatos  A disputa pelas capitais  Eu prometo: Veja as promessas de campanha dos candidatos  TSE registra 168 prisões e casos de 509 irregularidades  Imagens da votação pelo Brasil      No final da tarde, o prefeito esteve na sede do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL), no Centro de Maceió, acompanhado de advogados, para formalizar denúncia e prestar esclarecimentos sobre as declarações que fez no início da manhã, quando compareceu a sua sessão eleitoral para votar. Almeida disse que seus eleitores estariam se surpreendendo com a aparição, na tela da urna, da foto da candidata adversária, Solange Jurema (PSDB), toda vez que digitavam o seu número, para votar nele.   "Sabemos que esse assunto (a possível fraude) preocupa a Justiça Eleitoral, que trabalhou para garantir que tivéssemos eleições livres e sem quaisquer indícios de irregularidade", afirmou Daniel Brabo, advogado de Cícero Almeida, acrescentando que contratou uma assessoria para fiscalizar todo o processo, capacitando fiscais.   "Mas nesta manhã, recebemos inúmeros telefonemas dando conta de que, ao digitar o número 11, o eleitor via na urna o número 45 e a foto da candidata Solange", relatou Brabo. A irregularidade teria ocorrido em urnas de sessões eleitorais no Colégio Rosalvo Lobo, no bairro do Jatiúca, nas escolas do Centro de Estudos de Pesquisas Aplicadas (Cepa), no bairro do Farol. "Somente eu recebi 30 telefonemas dando conta desse tipo de irregularidade", ressaltou o advogado.   "Estou preocupado. Não podemos pecar por omissão. Vamos suspender a votação nestas sessões e tomar posições sérias. Não vai ficar como ficou anteriormente", comentou o desembargador Estácio Gama, lembrando, subliminarmente, o episódio das eleições de 2006 para governador em Alagoas, onde surgiram boatos de que o processo - disputado pelo ex-deputado federal João Lyra e pelo atual governador Téo Vilela - foi fraudado.   No plenário do Tribunal, o prefeito Cícero Almeida disse que respeita o Pleno do TER e que "a justiça será feita". "Jamais eu colocaria esta Casa sob suspeita. Só trouxemos o caso porque até o presidente do TSE, ministro Ayres Brito, já afirmou que a urna não é 100% segura. Chega de escândalos", resumiu o prefeito.   Logo após a audiência no plenário do Tribunal, o presidente do TRE-AL, juízes que integram o pleno, um técnico de informática do tribunal e os advogados de Almeida se deslocaram até às escolas citadas para apuração da denúncia, mas as irregularidades não foram constatadas.   Candidato do PT   O deputado estadual Judson Cabral, candidato do PT à prefeitura de Maceió, disse hoje pela manhã, quando chegou para votar, no Iate Clube Pajuçara, que deve disputar o segundo turno das eleições, contra o prefeito Cícero Almeida (PP), que disputa a reeleição e lidera as pesquisas, com mais de 80% da preferência do eleitorado maceioense.   Cabral chegou para votar acompanhado da mulher, de militantes do partido e candidatos a vereador da sua coliegação. Ele disse que o eleitorado de Maceió amadureceu, com a atuação recente da Polícia Federal, e não vai querer votar em um candidato que pode ser preso quando assumir o mandato.   O candidato do PT referia-se ao indiciamento de Almeida, pela Polícia Federal, na Operação Taturana, que apurou o desvio de R$ 300 milhões da Assembléia Legislativa de Alagoas. Na época do golpe, Almeida era deputado estadual e teria contraído um empréstimo bancário usando a verba de gabinete como garantia. Ele foi indiciado por peculato, formação de quadrilha e crime contra o sistema financeiro nacional.   Candidata tucana   A ex-ministra da Mulher Solange Jurema, candidata à Prefeitura de Maceió pelo PSDB, chegou para votar, hoje pela manhã, no Iate Clube Pajuçara, acompanhada pelo governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) e de candidatos a vereador por sua coligação. Solange disse que estava confiante na possibilidade da eleição em Maceió ser decidida no segundo turno.   "Estamos confiantes no segundo turno, pois fizemos uma campanha voltada na para mostrar a real situação de Maceió. Seja quem ganhe o pleito, esperamos que corrija os erros da cidade e faça algo pelas pessoas", ressaltou a candidata tucana. Para ela, a ausência do prefeito Cícero Almeida (PP) nos debates entre os candidatos a prefeito serviu para "derrubar a máscara da candidatura governista."   "Se ele (Almeida) tivesse compromisso com o povo teria comparecido aos debates, até para se explicar, para dizer por que foi indiciado por formação de quadilha na Operação Taturana ou por que usou imagens da campanha do IPTU da prefeitura, paga com recursos públicos, na sua propaganda do guia eleitoral na TV", questinou Solange, que enfrentou fila na seção eleitoral onde vota, no Iate Clube Pajussara. Questionada sobre a denúncia de fraude eleitoral feita pelo candidato Cícero Almeida, Solange Jurema destacou que não acredita em fraude por parte do Tribunal Regional Eleitoral.   Heloísa Helena   A ex-senadora Heloísa Helena é a nova campeã de votos em Maceió. Ela lidera a disputa pela Câmara Municipal de Maceió, com mais de 28.500 votos, cerca de 7,5% dos votos computados. Com a votação, Heloisa não só se elege vereadora como elege também o companheiro de partido Ricardo Babosa, que tinha cerca de 420 votos, com 94% das urnas apuradas.   Heloísa teve mais votos que Solange Jurema. Antes das eleições, muitos analistas diziam que a ex-senadora não atingiria o coeficiente eleitoral necessário para a sua eleição, em função do partido, PSOL, ter disputado o processo sozinho.   Depois de Heloísa, os vereadores mais votados em Maceió foram Galba Novaes (PRB), com 3,82%, e Oscar de Melo (PP), com 2,68%.

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