Chico 'sonha' e canta por Freixo

Compositor grava jingle para candidato no Rio

ALFREDO JUNQUEIRA / RIO, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2012 | 03h09

O engajamento do compositor Chico Buarque na campanha do candidato do PSOL à Prefeitura do Rio, Marcelo Freixo, não vai se limitar à participação em programas eleitorais para a TV e a internet. Ontem, depois de quase duas horas de gravações em seu apartamento no Alto Leblon, ele fez um pedido singelo ao político: queria levar "santinhos" para distribuir a amigos e vizinhos do campo do Polytheama, seu time de peladas no Recreio dos Bandeirantes, região dominada por grupos de milicianos.

Chico recebeu Freixo e sua comitiva lamentando os apoios manifestados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o arquiteto Oscar Niemeyer, seus amigos pessoais, à reeleição de Eduardo Paes (PMDB), apontado pelas pesquisas como favorito. Preferiu não se aprofundar no assunto e logo perguntou para a equipe de produção como poderia ajudar. Ao saber que deveria gravar vídeos curtos para TV e longos para a internet com declarações de apoio a Freixo, manifestou sua tradicional timidez. "Acho que prefiro cantar o jingle de campanha a falar para TV."

Chico passou cerca de 30 minutos aprendendo o refrão da música de campanha de Freixo e gravou três versões diferentes para o tema. Nas gravações dos depoimentos, acompanhadas pelo Estado, o compositor afirmou que uma eventual vitória de Freixo seria "um sonho". "Mas um sonho possível", ressaltou. Ele ainda revelou que há muito tempo não se empolgava tanto com uma campanha política.

Com aliança formal apenas com o nanico PCB, Freixo vem buscando apoio da sociedade civil, aproximando-se de movimentos sociais, entidades de classe e artistas. Seu tempo de TV é de cerca de um minuto e meio, enquanto Paes, coligado a 19 partidos, terá cerca de 16 minutos.

Apartidário. Após as gravações, Chico fez questão de dizer que jamais foi petista. Disse que já votou várias vezes no partido, mas que nunca foi filiado. Queixou-se de ser sempre classificado como integrante do PT e fez uma comparação com o período da ditadura militar. "Naquela época, diziam que eu era comunista. Nunca fui, mas colou. Hoje é a mesma coisa com o PT. Vivem me chamando por aí de 'petista histórico'. Nunca tive filiação política nenhuma", afirmou o compositor.

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