Sebastião Moreira/EFE
Sebastião Moreira/EFE

Chefe da missão da OEA diz haver preocupação com 'polarização e agressividade'

Ex-presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla afirmou que o atentado contra Jair Bolsonaro e as ameaças contra mulheres do movimento #Elenão são condenáveis

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2018 | 21h08

A ex-presidente da Costa Rica e chefe da missão de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Laura Chinchilla, afirmou, nesta segunda-feira, 8, que há preocupação com a "polarização e agressividade" da campanha, segundo relatório preliminar elaborado pelo grupo. O parecer será concluído após o segundo turno, no final do mês. 

Entre os pontos de preocupação está o atentado contra Jair Bolsonaro (PSL), em setembro, que foi atingido por uma facada, e também ameaças contra mulheres responsáveis pelo movimento "#Elenão", contrário à candidatura de Bolsonaro. "A missão condena veementemente estes ataques", criticou.

Ela também avaliou que, em alguns casos, expressões adotadas ao longo da campanha pelos candidatos apresentaram tom discriminatório e excludente. Para o segundo turno, defende que façam uma campanha "menos tensa", mais centrada na discussão de ideias e propostas e com "responsabilidade para reduzir a polarização social".

O grupo, formado por 40 pessoas, considerou que o primeiro turno da eleição transcorreu com "profissionalismo e perícia técnica". A missão da OEA visitou 390 seções de votação em 12 estados e no Distrito Federal e identificou alguns problemas com a biometria e falha na leitura das digitais dos eleitores, mas nada que comprometesse o processo.

Ela reforçou que "a urna é independente" e que não houve nenhuma denúncia sobre suspeitas de manipulação do resultado. "O máximo que uma urna pode ter são 400 votos. Se você faz a matemática, para mexer um ponto de um candidato, você precisaria manipular uma a uma 2.500 urnas e ter todos os votos dessas urnas. Essa é uma operação que não é fácil de ocorrer", comentou.

Sobre a propagação de "fake news", avaliou que a "desinformação" foi uma constante durante a campanha e aumentou no dia da eleição, mas que existe um esforço do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para combater os conteúdos falsos. "O Brasil não está cruzando os braços. Os brasileiros estão buscando alternativas que permitam neutralizar o efeito das 'fake news'. Em uma campanha eleitoral, muito começa pelo discurso político, por isso, temos sugerido que ele se assente sobre a informação verdadeira."

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