Chefe da Casa Civil de SP teve doação de outra empresa suspeita

Chefe da Casa Civil do governo Alckmin recebeu R$ 170 mil da Scamvias para sua campanha a deputado federal em 2010

Fernando Gallo e Fausto Macedo, de O Estado de S.Paulo

15 Abril 2013 | 02h07

Além da Demop - construtora que está no centro do escândalo de fraudes em licitações de prefeituras do interior paulista -, que em 2006 doou R$ 91,6 mil para a campanha a deputado federal do atual secretário-chefe da Casa Civil do governo de São Paulo, Edson Aparecido (PSDB), outra empresa apontada como participante do esquema doou, na eleição de 2010, R$ 170 mil para a campanha que reelegeu o tucano.

Trata-se da Scamvias Construções e Empreendimentos Ltda., que posteriormente teve seu nome alterado para Scamatti & Seller Infraestrutura Ltda. Ela fez duas doações no mês de setembro daquele ano, uma de R$ 120 mil e outra de R$ 50 mil.

A empreiteira foi a terceira empresa que mais doou para a campanha de Aparecido em 2010.

O Estado revelou ontem que a Operação Fratelli, deflagrada na terça-feira pela Polícia Federal e pelo Ministério Público para apurar fraudes em licitações em 78 prefeituras do interior paulista, apontou uma estreita ligação entre Aparecido e Olívio Scamatti, dono das duas empreiteiras preso na terça-feira sob suspeita de chefiar o esquema.

Além de diversos contatos telefônicos em que pede ao empreiteiro ajuda para um prefeito e demonstra preocupação sobre a abertura de uma investigação do Ministério Público que envolveria a Demop, Aparecido viu um ex-assessor de oito anos ser preso junto com Scamatti na operação: Osvaldo Ferreira Filho, o Osvaldinho, que é apontado como o elo entre a Demop e as prefeituras.

Segundo os investigadores, além da Demop, o grupo opera o esquema supostamente fraudulento valendo-se de ao menos outras sete empresas. A Scamvias é apontada como uma delas.

"O grupo Scamatti, a par de constituir um grande conglomerado de empresas sediadas na região noroeste paulista, com ampla atuação no segmento de pavimentação asfáltica, mineração e obras de infraestrutura, constitui também, segundo o que restou apurado, um enorme conglomerado de corruptores e fraudadores de licitações, com tentáculos enormes em número bem maior do que oito", anotaram.

Sócios presos. A Scamvias foi registrada na Junta Comercial de São Paulo em 2002 com capital social de R$ 100 mil. Atualmente esse valor é de R$ 15 milhões. Seus dois donos são Olívio Scamatti e sua mulher, Maria Augusta Seller Scamatti. Ela foi presa no sábado pela Polícia Federal sob a suspeita de estar ocultando provas que poderiam incriminar seus familiares presos.

O administrador da empresa é Luis Carlos Seller, cunhado de Olívio. Ele também foi preso na Operação Fratelli na terça-feira.

Entre 2008 e 2012 a Scamvias recebeu cerca de R$ 130 milhões, em valores nominais, de prefeituras do interior paulista. A maior parte dos recursos é oriunda de emendas parlamentares estaduais e federais - neste último caso, sobretudo dos orçamentos dos ministérios do Turismo e das Cidades. As nove cidades que mais desembolsaram valores para a empresa são municípios de até 85 mil habitantes do noroeste do Estado.

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