Chapéu, elogios e muitas lágrimas na volta de Lula ao Palácio do Planalto

Foi uma volta em grande estilo. Em sua primeira visita ao Palácio do Planalto após iniciar o tratamento contra um câncer na laringe, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu todo tipo de homenagem. Diante dele, a presidente Dilma Rousseff e o pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, ficaram com a voz embargada e o novo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, foi às lágrimas.

O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2012 | 03h04

"É emocionante tê-lo aqui", disse Dilma, ao recepcionar Lula na garagem do Planalto. Com um chapéu preto na cabeça, o ex-presidente foi saudado por ministros e funcionários e passou dez minutos posando para fotos. Ao chegar para a cerimônia de despedida de Haddad do Ministério da Educação, no segundo andar, Lula tirou o chapéu, mostrou a careca e arrancou aplausos. "Para mim, é uma honra que seja neste momento que, pela primeira vez, o nosso querido presidente Lula volte ao Planalto", afirmou Dilma.

Até na emoção a presidente lembrou o padrinho político, com quem se reuniu por mais de uma hora, após a solenidade. "Com o passar do tempo, a gente fica um bando de chorões, mas o presidente Lula sempre disse para mim: 'pode chorar que não faz mal nenhum' ". Dilma citou Lula mais de dez vezes no discurso e não deixou dúvidas de que ele será um poderoso cabo eleitoral para Haddad. A presidente elogiou os projetos iniciados na gestão do antecessor, como o ProUni, outro alvo dos adversários.

"Temos de reconhecer em público que a estratégia de colocar a educação da creche à pós-graduação foi instituída pelo senhor", insistiu ela, dirigindo-se a Lula. Haddad, por sua vez, afirmou que se orgulha de ter trabalhado sob o comando de um metalúrgico, já que assumiu a Educação em 2005. Amigo do ex-presidente, Mercadante lembrou ter recebido de Lula, em 1982, um quadro com a seguinte inscrição: "Se não deu frutos, valeu a beleza das flores". Depois, disse que ele plantou sementes de esperança. E caiu no choro. / V.R.

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