Chapa com Erundina desperta nostalgia

Ex-membros da administração da ex-prefeita apostam no resgate dos primeiros tempos do PT

IURI PITTA, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2012 | 03h06

O petista estava com saudade de Luiza Erundina. Tão logo a notícia de que a ex-prefeita de 77 anos seria vice na chapa de Fernando Haddad, filiados e simpatizantes do PT começaram a trocar e-mails, espalhar a notícia pelas redes sociais e se perguntar se teriam mesmo Erundina de volta em uma chapa majoritária. A sequência do enredo - a aliança com o PP de Paulo Maluf por tempo na propaganda eleitoral - diminuiu, mas não apagou o espírito de nostalgia que ex-colaboradores da primeira gestão petista em São Paulo querem transformar em fôlego nesta campanha, 24 anos depois.

"Eu estou exultante", disse ao Estado a filósofa Marilena Chauí, ex-secretária de Cultura na gestão Erundina, a quem define como "personificação da coerência". "Além de apelo popular, ela é uma ponta de lança para a compreensão do que é a candidatura Haddad na classe média."

Essa avaliação não difere da estratégia dos dirigentes petistas, parte deles protagonista dos conflitos que fizeram Erundina trocar o PT pelo PSB, em 1997. A ex-prefeita não tem os mesmos votos de quando superou Maluf (então no PDS), João Leiva (PMDB) e José Serra (do recém-criado PSDB), mas preservou o respeito da militância - e até de quem não vota no PT ou deixou de apoiar a sigla após virar vitrine e vidraça em Brasília.

O desafio é transformar admiração em voto e convencer quem guarda a memória de um governo conturbado e que não conseguiu eleger sucessor.

"Erundina é símbolo de valores que pautaram a fundação e a primeira metade de vida do PT", definiu a urbanista Ermínia Maricato, ex-secretária de Habitação. Ex-titular de Finanças, o economista Amir Khair segue raciocínio semelhante. "Ela pode atrair pessoas que deixaram ou se afastaram do PT em função dos problemas éticos que afetaram o partido", disse. "Luiza saiu do PT, mas nunca se afastou do grupo que pensa a mesma coisa", completou a assistente social Neire Bruno, mulher de Khair e amiga de Erundina desde a universidade.

A questão é o quanto a aliança com Maluf - já acostumado a votar com o PT (leia abaixo), mas adversário da ex-prefeita - pode fazer o efeito Erundina não ir além de nostalgia. Como Haddad, o educador Mario Sergio Cortella lembra que o PP já é um aliado em Brasília. "Eu ficaria boquiaberto se Maluf fosse o vice. Como o PP já compõe o governo, a aliança não deveria causar estranhamento", ponderou o ex-secretário de Educação.

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