Chalita se declara candidato 'da fé e da aliança correta'

Antes de ser homologado por convenção do PMDB, deputado participa de missa na Sé; em discurso, alfineta acordos dos adversários

FELIPE FRAZÃO, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2012 | 03h05

O PMDB oficializou ontem, em tom religioso, a candidatura do deputado federal Gabriel Chalita a prefeito de São Paulo. Antes de ser aclamado na Praça da Sé, Chalita comungou na missa da catedral, ao lado do vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), e de líderes nacionais do partido. Depois, apresentou-se na convenção como candidato "da fé, do respeito e da aliança correta" - alfinetando acordos firmados por adversários, entre eles o polêmico acerto PT/PP.

"Começamos essa campanha abençoados. Choveu a semana inteira e no dia dessa festa da democracia, Deus nos dá esse sol de presente", disse Chalita ao pegar o microfone. "Nós queremos colocar São Paulo em primeiro lugar: essa é a nossa oração."

Referências a Deus permearam os discursos no palanque montado no marco zero da capital paulista em frente à Sé, no centro. Chalita citou também o arcebispo Dom Paulo Evaristo Arns e o apóstolo Paulo. "Vamos combater o bom combate, sem esmorecer. Não é hora de promessas vãs", pregou.

"Religião significa uma religação. E nenhuma religação maior, Chalita, se pode fazer senão durante a eleição. O povo se religará a você, certamente com 4 milhões ou 5 milhões de votos, para levá-lo à Prefeitura", disse Temer, se dirigindo ao candidato.

Ex-seminarista e ligado à corrente da renovação carismática católica, Chalita disputará as eleições com apoio de três partidos nanicos ligados à bancada evangélica: PTC, PSC e PSL. Representantes das siglas também mencionaram parábolas bíblicas aos militantes, que empunhavam bandeiras, faixas e buzinas.

Ao expor a fé, Chalita assumiu de vez um tema sensível em campanhas - alvo de polêmica nas eleições de 2010. Peemedebistas esperam que as igrejas sejam uma plataforma de voto e que padres populares como Marcelo Rossi e Fábio de Melo se tornem cabos eleitorais de Chalita. Ele não negava o tema, mas dizia "não ser candidato a cargo religioso".

Militantes do PMDB vestiam camisas com as frases "sou verdadeiro, sou sonhador, sou guerreiro". Ao redor deles, havia oito banners gigantes com fotos de Chalita - sem nenhum vice ao lado, já que a escolha ficou para quinta-feira. Em dois pôsteres, Temer aparecia com ele.

Na convenção, Temer figurou pela primeira vez em palanque público com seu apadrinhado político. Uma hora antes, sentaram-se lado a lado na primeira fila de bancos da missa da pastoral do migrante, rezada pelo cardeal Dom Odilo Scherer. Além de Temer, assistiram à missa o presidente nacional do partido, senador Valdir Raupp (PMDB-RO), o ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Moreira Franco (PMDB-RJ), e o ex-governador Fleury Filho (PMDB-SP).

"Ah, o Chalita pode tudo", ironizou um deputado do PT ao se surpreender com a cúpula peemedebista na igreja. "Não sabia que o PMDB invadiria a catedral."

'Kit gay'. Até então mantida nos bastidores, a atuação do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) - que trabalhou com PC Farias e na campanha presidencial de Fernando Collor - foi evidenciada ontem. Ele acompanhou Chalita na missa e ao Estado se referiu a um tema polêmico para o candidato petista Fernando Haddad.

"São Paulo é uma prioridade do PMDB. Todo mundo ajuda um pouquinho", disse o parlamentar da bancada evangélica. "Eu estando presente, sou um referencial de credibilidade no meio evangélico. Mas não é decisivo. Não adianta as lideranças (religiosas) apoiarem e o candidato defender o kit gay."

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