Chalita quer importar 'modo Paes' de gestão

Pré-candidato do PMDB à Prefeitura elogia relação do prefeito carioca com governos estadual e federal e já fala até modelo paulistano de UPPs

FELIPE FRAZÃO, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2012 | 03h05

A gestão do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), será explorada como modelo a ser adotado em São Paulo pelo deputado e pré-candidato da legenda à Prefeitura, Gabriel Chalita. Ele aposta em reproduzir o bom relacionamento e as parcerias de Paes com o governo estadual e, sobretudo, com o federal, evidenciado na quarta-feira pelos elogios públicos da presidente Dilma Rousseff ao prefeito carioca - tido por ela como parceiro "extraordinário".

Chalita cogita trazer Paes para divulgar aos paulistanos o "modo PMDB de governar" que, para ele, é um exemplo. "O Paes é muito presente. Vinte minutos depois que aqueles prédios caíram no Rio ele já estava lá, explicando o que houve. Este é o modelo de prefeito que a gente busca", disse Chalita ao Estado, lembrando de forma indireta a recorrente crítica que faz ao prefeito Gilberto Kassab, que teria se afastado da Prefeitura para fundar o PSD.

O peemedebista quer "importar" programas desenvolvidos no Rio na gestão Paes e diz que está conhecendo ao menos três, nas áreas de saúde, trânsito e segurança. Dois têm parceria com a União: as Clínicas da Família - unidades de atendimento médico básico do Sistema Único de Saúde -, que oferecem consultas e exames em bairros periféricos, e as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), cuja estratégia de segurança de ocupação das favelas pela Polícia Militar e Forças Armadas é comandada pelo governador Sérgio Cabral (PMDB).

Nas UPPs, o município dá apoio à PM com atendimento social aos moradores das favelas. Chalita diz que a "presença do poder público nas áreas complicadas", a partir das UPPs, poderia ser adaptada para as periferias paulistanas. "As peculiaridades são diferentes, mas o conceito da presença do Estado é parecido."

Quanto ao trânsito, o pré-candidato diz que São Paulo precisa de uma central de inteligência, como o Centro de Operações Rio, por meio do qual técnicos monitoram o tráfego com câmeras. "A Companhia de Engenharia de Tráfego de SP usa equipamentos defasados", critica. Ele defende que a Prefeitura aproveite a experiência com a iniciativa privada que Paes instituiu para revitalizar a zona portuária carioca numa Parceria Público Privada (PPP) aliada com Operação Urbana. "Acho que São Paulo pode fazer o mesmo com PPP no centro."

A coordenação de comunicação de Chalita confirma que o exemplo do Rio será usado na campanha, mas diz que a ideia está em início de conversas. Segundo ele, caberá aos marqueteiros traçar a estratégia de como o Rio aparecerá em seus programas.

Parceria. A estratégia de Chalita em citar a Prefeitura do Rio como modelo a ser seguido tem consonância com outra que o pré-candidato tenta difundir ao eleitorado. A exemplo de Paes, bem relacionado com Dilma e Cabral, Chalita quer ser, à moda paulistana, um prefeito parceiro do Estado e da União. Por intermédio das parcerias, quer sensibilizar o governo federal e conseguir investimentos na capital paulista. "O Rio tem alguns símbolos, um deles é a boa relação com o governador e o presidente Lula e agora a presidenta Dilma", avalia.

Mesmo em meio a relações estremecidas do PMDB nacional com o governo federal em Brasília, Chalita insistirá no discurso da boa relação com Dilma. Chalita ajudou a afastar da petista a imagem de candidata a favor do aborto entre os religiosos, na campanha de 2010. O peemedebista já disse ser o "único" com condições de defender essa posição de bom trânsito com ambos. E apostará nela durante a campanha - a despeito de o PT ter lançado o ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, e de o PSDB estar prestes a decidir seu candidato na prévia, hoje.

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