Cercado de tucanos, Kassab lança plano de governo

Em clima de showmício, com direito a chuva de papel picado, telão, jingles repetidos incessantemente e muitos cabos eleitorais, o atual prefeito e candidato a reeleição, Gilberto Kassab (DEM), lançou hoje seu programa de governo, que preferiu chamar de "plano de diretrizes 2009-2012" no ExpoCenter Norte, na capital paulista. No evento, que durou cerca de duas horas e meia, subiram ao palco e falaram, um a um, todos os 22 secretários municipais da gestão. Discursaram sobre os avanços da gestão, mas pouco sobre o conteúdo do plano de governo.A tônica do evento foi a continuidade da gestão Serra/Kassab, em resposta às críticas do candidato da coligação "São Paulo, na Melhor Direção" (PSDB-PTB-PHS-PSL-PSDC), Geraldo Alckmin, que, na propaganda eleitoral gratuita, acusou Kassab de não ter dado continuidade ao plano de governo de José Serra (PSDB), prefeito eleito em 2004, que deixou o cargo para se candidatar ao governo do Estado em 2006. E em campanha de rua, hoje, classificou de oportunista a tentativa de Kassab colar sua imagem no PSDB do governador Serra. "A administração Kassab começou com Serra", disse o secretário de Trabalho e coordenador do programa de diretrizes, Guilherme Afif Domingos.Referindo-se a Serra, o candidato da coligação "São Paulo no Rumo Certo" (DEM-PR-PMDB-PRP-PV-PSC) pediu uma salva de palmas para o grande "inspirador" do plano de governo. "Tenho certeza de que ele deve ter muito orgulho da nossa administração, da avaliação que a opinião pública tem da nossa gestão, que se iniciou com ele", disse Kassab. "Serra é hoje o grande líder de uma aliança entre governo do Estado e Prefeitura, e que envolve PSDB, DEM, PPS, PV, PR, PMDB, PSC e PRP", acrescentou, sem entrar no mérito de que PSDB e PPS possuem candidatura própria, respectivamente Alckmin e Soninha.Questionado sobre a ausência de Serra no lançamento do programa, Kassab respondeu que entende a posição do governador, que publicamente apóia o tucano Alckmin, mas mantém uma posição dúbia nos bastidores. "Todos sabem o respeito, carinho e amizade que tenho por ele (Serra) e evidentemente eu compreendo sua situação. Ela é complexa e não serei eu quem criará nenhum embaraço ou situação difícil para ele. Pelo contrário", ressaltou.O nome mais citadoSerra foi o nome mais citado pelos secretários, muitos deles tucanos, como Januário Montone (Saúde), Walter Feldman (Esportes), Clóvis Carvalho (Governo) e Alexandre Schneider (Educação). "Serra inaugurou a 21.ª AMA e Kassab está hoje na 115.ª", declarou Montone."Muitos podem estranhar o que um tucano faz no lançamento do programa de governo de um candidato do DEM. Quero dizer que estamos absolutamente à vontade", disse Feldman. "Nós estaríamos traindo nossa consciência se após quatro anos de trabalho no governo não estivéssemos aqui, ao lado de Kassab, se estivéssemos em outro local, em outro palanque", acrescentou. "São Paulo está no rumo absolutamente certo", afirmou o secretário de Governo, Clóvis Carvalho. "A educação passou por uma revolução e precisamos de mais quatro anos para consolidá-la. É a prova clara de que o prefeito Kassab pegou o governo Serra e levou adiante", disse Schneider.Mais tarde, em entrevista coletiva, Kassab voltou a dizer que não atacará os adversários, embora todo o evento tenha sido uma resposta aos ataques de Alckmin. "O que é importante registrar é que não vou me preocupar com a campanha dos adversários", sustentou.O prefeito explicou que se propõe a dar continuidade ao programa da atual gestão, "liderado pelo então candidato José Serra, em conjunto conosco". "Meu plano de governo é diferente, é de continuidade, com ajustes e avanços que estão sendo apresentados no plano de diretrizes. E como é uma administração que já acontece, não tem sentido você apresentar um plano de governo fechado", destacou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.