Celso Junior/AE
Celso Junior/AE

'CEO' do governo, Dilma escala Gerdau para cobrar ministros e definir metas

Obrigada a tolerar os feudos políticos dos partidos de coalizão, presidente quer acelerar adoção de modelo empresarial para a máquina federal

Iuri Dantas, de O Estado de S.Paulo,

29 de janeiro de 2012 | 03h05

BRASÍLIA - Preocupada com os problemas de gestão da administração federal, a presidente Dilma Rousseff decidiu acelerar o processo de adoção de um modelo empresarial para tentar desemperrar a máquina pública e dar um upgrade no atendimento prestado ao público. A estratégia de guinada em direção a um novo modelo prevê conversas do megaempresário Jorge Gerdau com diversos ministros, revisão do funcionamento das pastas por uma consultoria privada, definição de metas e prazos e fiscalização em tempo real dos projetos e gastos públicos.

Esse planejamento estratégico, no entanto, esbarra em problemas como o gigantismo da equipe herdada de Luiz Inácio Lula da Silva, com 38 ministros, e a força de partidos aliados, que montaram verdadeiros feudos políticos nas pastas que conduzem, aparelhando áreas vitais para o atendimento à população.

Alguns exemplos claros mostram que essa estratégia já foi acelerada dentro do governo. Presidente da Câmara de Gestão e Competitividade do governo, Jorge Gerdau tem conversado com ministros, entregando uma espécie de lista de tarefas e sugestões para que as pastas melhorem o desempenho. Ele sugeriu a redução de pastas, mas, sem que o governo tivesse força política para conseguir isso, a tática mudou para o monitoramento mais próximo dos ministérios.

Para que esse movimento avance, o governo sabe que um dos principais nós a ser desatado está na partidarização de cargos nos ministérios e autarquias.

A estratégia a ser adotada por Dilma é de amenizar o impacto dessas indicações políticas. Em vez de vetar as indicações políticas ou extinguir ministérios, o Planalto definirá objetivos e resultados que poderá cobrar dos ministros. Ou seja, a maneira escolhida por Dilma para blindar sua gestão do xadrez político que precisa jogar para dispor de maioria no Congresso vai na linha de melhorar a relação do Estado com a população, fazendo a máquina funcionar sem importar quem comanda o ministério.

Executiva. O novo modelo de gestão define Dilma como uma espécie de CEO e a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, no papel de gerente do governo, questionando projetos desde a ideia inicial até a execução final da obra ou serviço. Nos bastidores, a Fazenda prepara também uma modernização dos sistemas de contabilidade.

"Vamos trazer para o governo novas medidas de gestão, como a nova contabilidade pública, melhor gestão dos tributos, simplificação, melhoria do controle aduaneiro e redução de obrigações excessivas", disse o secretário da Receita Federal, Carlos Alberto Barreto.

Coube ao Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG), do professor Vicente Falconi, um diagnóstico do funcionamento dos ministérios, com recomendações específicas a cada um, em um trabalho conjunto com a Casa Civil e Gerdau. "Tudo isso tem uma lógica única, de melhorar a gestão na ponta dos ministérios", afirmou a ministra Gleisi ao Estado. Segundo as novas regras, os ministros submetem suas propostas à Casa Civil, que "espanca" a ideia tecnicamente para ver se ela é viável. Aprovada, segue para a palavra final de Dilma.

O gasto envolvido no projeto é analisado em conjunto pela Fazenda e Planejamento, a chamada junta orçamentária. A junta já existia, mas na época de Lula alguns ministros tentavam um aval de Lula antes de enviar o projeto para os três ministros.

Cada ministério precisará montar até julho um sistema de controle de seus programas, com informações desde a saída do dinheiro do Tesouro até a conclusão da obra ou execução de serviço. "Há uma determinação de que se trabalhe com planos por área, com foco, meta e métrica", resumiu o ministro de Assuntos Estratégicos, Moreira Franco. "A metodologia de tomada de decisão é de que os projetos e propostas tenham mais consistência técnica."

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