Centrais vão levar pauta trabalhista para presidente

Contra 'pauta conservadora' das ruas, CUT e CGT vão defender medidas como as 40 horas semanais e fim do fator previdenciário

Daniel Bramatti, Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

25 Junho 2013 | 02h02

A CUT e a CGT devem programar nos próximos dias manifestações em conjunto com outras centrais sindicais para levar às ruas a chamada pauta trabalhista, além de cobrar mais investimentos em áreas como saúde, educação e transporte. A presidente Dilma Rousseff ouvirá as reivindicações amanhã, em um encontro com sindicalistas no Palácio do Planalto.

Apesar de apoiar a bandeira que deu origem à onda de protestos pelo País - a redução das tarifas de ônibus -, os sindicalistas querem deixar claras suas diferenças em relação aos manifestantes que tomaram as ruas nos últimos dias.

"Achamos que é conservadora essa pauta do 'sem partido, sem sindicato'", disse Vagner Freitas, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Consideramos que é positivo a juventude despertar e se colocar como agente de seu próprio futuro. Mas a quem interessa a não existência de entidades representativas da sociedade?"

João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical, também destacou a necessidade de se fazer um "contraponto" aos manifestantes que rejeitam a participação de partidos nos protestos. "Não acreditamos em movimentos espontâneos", disse.

"Os protestos começaram com uma pauta legítima, a necessidade de reduzir o custo do transporte coletivo. A partir do momento em que os manifestantes começaram a cercear a participação de integrantes de partidos e de organizações da sociedade, aí virou perseguição ideológica", avaliou Juruna.

Horizontalidade. O Movimento Passe Livre (MPL), que convocou os protestos na capital paulista, sempre destacou o caráter apartidário das manifestações, apesar de abrigar militantes filiados ao PSOL, ao PSTU e até ao PT. O movimento também se define como "horizontal" - nega ter líderes e diz se organizar de forma não hierárquica.

Na semana passada, após a redução das tarifas de ônibus e trens anunciada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) e pelo prefeito Fernando Haddad (PT), petistas e integrantes de outros partidos foram hostilizados ao tentar participar de passeata na avenida Paulista.

Além de definir um calendário de mobilização, representantes da CUT, Força Sindical, CTB, UGT e Nova Central vão discutir hoje outras estratégias para colocar em evidência a "pauta trabalhista" que já foi levada a Dilma em março deste ano. Na época, 25 mil manifestantes, segundo a Polícia Militar, desfilaram pela Esplanada dos Ministérios para dar peso político à entrega de uma pauta de reivindicações aos poderes Executivo e Legislativo.

Entre os 12 itens reivindicados na época estavam a limitação da jornada de trabalho a 40 horas semanais sem redução de salário, o fim do fator previdenciário, e a correção da tabela do Imposto de Renda pela inflação. Também estavam lá pedidos de maiores investimentos na área social - pontos que ganharam relevância com a onda de manifestações.

"Nós apoiamos as manifestações por mais recursos para políticas públicas", disse ontem Vagner Freitas. "Queremos mais recursos para a saúde e para a educação", afirmou Juruna.

A marcha feita em março foi a primeira realizada no governo Dilma - a anterior havia sido feita em 2012, último ano do segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.

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