Centrais organizam atos para evitar demissões

Movimento, que prevê paralisações, começou a ser articulado após os 35 mil empregados não terem recebido salários

MARCELO REHDER, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2012 | 03h06

As centrais sindicais estão organizado um movimento nacional em defesa dos trabalhadores da Delta Construções que prevê paralisações de advertência, a partir da semana que vem, e até a realização de uma greve geral por tempo indeterminado nos canteiros de obras da construtora em todo o Brasil. O movimento começou a ser articulado após os 35 mil funcionários da Delta não terem recebido o pagamento dos salários, que deveria ter sido feito no último dia 30.

Além disso, segundo sindicalistas, os cerca de 800 operários demitidos há pouco mais de duas semanas do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), depois que a Petrobrás rompeu dois contratos com a construtora, não receberam verbas rescisórias, como aviso prévio e multa de 40% sobre os depósitos no FGTS.

Os sindicatos temem onda de demissões caso o governo determine o rompimento de contratos com a Delta. Está em análise pela Controladoria Geral da União (CGU) a possibilidade de declarar inidônea a Delta.

"Acendeu a luz vermelha para os trabalhadores", diz o secretário-geral Adalberto Galvão, da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria da Construção, entidade ligada à Força Sindical.

Segundo ele, sindicatos ligados a diversas centrais deverão começar a paralisar obras na semana que vem. Ao mesmo tempo, as centrais vão tentar abrir um diálogo com o governo, a CGU e o Congresso para encontrar uma saída para os trabalhadores. "Se não houver solução, vamos partir para a greve geral por tempo indeterminado", promete Galvão.

Acusada de envolvimento no esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, a Delta é a construtora com o maior número de contratos com o governo federal nas obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). Ela mantém contratos também com governos estaduais e municipais, distribuídos em 21 Estados e o Distrito Federal.

Sem fluxo. Procurada, a Delta não se pronunciou sobre o atraso nos salários. Segundo sindicalistas, a construtora alegou não ter fluxo de caixa para pagar os salários, sob o argumento de que há três meses não recebe por trabalhos já realizados. Os funcionários foram informados, por meio de comunicado, que os salários não seriam depositados no dia 30. A construtora tem uma folha estimada em cerca de R$ 25 milhões, valor que, dividido pelo número de funcionários, resulta num salário médio de R$ 714.

A expectativa dos trabalhadores é de que o pagamento seja feito até a próxima sexta-feira, dentro do prazo legal de cinco dias úteis do mês subsequente ao trabalhado. "Não temos garantias de que isso vá ocorrer", afirma Adalberto Galvão.

As conversas entre os sindicalistas ganharam força com o anúncio de desistência, por parte da holding J&F, de compra da Delta. Estava prevista para a noite de ontem uma reunião entre representantes das três maiores centrais do País - Força Sindical, Central Única dos Trabalhadores (CUT) e União Geral dos Trabalhadores (UGT).

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