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Cenas de um casamento

No fim tudo se ajeita. Com palanques unificados ou diversificados, PT e PMDB estarão juntos em torno da eleição presidencial de 2014 se assim for considerado da conveniência de cada um deles.

Dora Kramer, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2013 | 02h04

Embora dependa muito mais do êxito da administração Dilma Rousseff, das artimanhas do ex-presidente Lula e da popularidade de ambos para ganhar, ao PT interessa a companhia da, ainda, mais bem plantada máquina partidária País afora.

Dilma não ganhou em 2010 porque Michel Temer era seu vice, entenda-se. Ninguém está dizendo isso. Mas a ajuda do PMDB - em acréscimo de tempo de televisão no horário eleitoral e/ou em engajamento das "bases" regionais - foi essencial notadamente por não estar nas mãos do adversário.

O PMDB por si não ganha nada. Fazia parte da chapa de José Serra em 2002, lembre-se. À labuta de lançar candidatura própria prefere o conforto da carona no barco que lhe parece com mais chance de atracar no porto seguro.

Por ora o que representa essa segurança é a candidatura de Dilma à reeleição ou qualquer outra arquitetura que Lula resolva montar para 2014. Em qualquer caso o PMDB é aliado valioso.

Portanto, deve-se conferir peso relativo aos termos em que estão sendo discutidas nessa etapa da largada as alianças dos dois parceiros nos Estados, notadamente nos três maiores e mais importantes colégios eleitorais, São Paulo, Minas e Rio de Janeiro.

Ambos almejam candidaturas próprias para governador. É natural que quem tem o comando da disputa nacional queira assegurar o chamado "palanque único". Ao mesmo tempo, o PMDB não pode relaxar ao ponto de sempre abrir mão em prol do PT.

Se for compassivo em excesso corre o risco de, ao longo do tempo, ir se enfraquecendo e perder seu grande patrimônio que é o poder local. Este permite a formação de grandes bancadas na Câmara e no Senado e lhe assegura influência no plano nacional.

Daí a necessidade de fazer seu jogo na medida do conveniente e, quando possível, mediante acordo de boa convivência, disputando com o PT. Normal, então, que petistas e pemedebistas nessa altura estejam marcando território.

Em São Paulo o PMDB ensaia apresentar candidato e o PT diz que não desiste: quer disputar para levar adiante o projeto de desalojar o PSDB do governo do Estado depois de lhe tirar poder sobre a prefeitura da capital. Aqui, tudo indica, se houver confronto, o PT leva a melhor.

No Rio o PMDB tem o governo no Estado que, por sua vez, tem candidato: o vice do governador Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão, figura querida, eficiente, distante de escândalos, prestigiada no Palácio do Planalto, mas, segundo os enfronhados na política fluminense, sem o que se convenciona chamar de densidade eleitoral para dizer que a pessoa não tem votos.

O PT tem o senador Lindbergh Farias, eleito senador em 2010 vindo de dois mandatos como prefeito na baixada fluminense e, portanto, já devidamente testado e bemsucedido nas urnas.

Além disso, os petistas já abriram mão da candidatura de Lindbergh para o governo há dois anos e o partido sofre até hoje o trauma da intervenção da direção nacional em favor de uma aliança com Anthony Garotinho. Aqui a probabilidade é a de que haja dois palanques ou que o PT consiga impor sua vontade, mas não será fácil.

Em Minas, o PMDB cedeu na eleição municipal. Havia vencido uma duríssima queda de braço na disputa anterior, quando o PT tirou o time e foi à derrota com Hélio Costa. Dificilmente vai querer repetir a fórmula.

Nada disso abalou a aliança em torno do grande prêmio que é a Presidência da República, vale dizer, acesso irrestrito à máquina federal.

Se for de interesse de ambos, PT e PMDB podem brincar separados o carnaval de 2014 nos Estados e, mesmo assim, preservar os termos do acordo pela conquista do prêmio principal.

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