CENÁRIO: geografia do voto ajuda a explicar estratégia do grupo

No discurso oficial, o Movimento Passe Livre (MPL) afirma que participa de protestos na periferia desde 2011. Neste ano, porém, todos os seus principais atos aconteceram no centro expandido, culminando com a passeata que reuniu 100 mil pessoas, partindo da Avenida Paulista, na última quinta-feira. As manifestações na periferia passaram a ser divulgadas como prioridade só depois de derrubado o aumento de R$ 0,20 no preço do transporte público em São Paulo.

Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

25 Junho 2013 | 02h03

A geografia do voto na cidade ajuda a explicar essa nova estratégia. Divisão do mapa eleitoral paulistano feita pelo Estadão Dados em parceria com o Ibope no ano passado mostra que, historicamente, uma região com 21 zonas eleitorais na periferia de São Paulo tem tendência muito maior de votar em candidatos do PT a cargos majoritários que o resto da cidade. No ano passado, por exemplo, Fernando Haddad (PT) ganhou em todas elas no primeiro e no segundo turno.

É nessa área que os três protestos de hoje apoiados pelo MPL acontecerão. A ação conjunta com entidades da periferia pode aproximar o movimento de uma população que, além de sofrer diariamente com a baixa qualidade do transporte público, constitui eleitorado mais à esquerda que o do centro expandido - onde um novo perfil de manifestantes hostilizou partidos políticos no último protesto e foi criticado pelo MPL. Conquistar a simpatia da periferia pode ajudar o movimento a se fortalecer na região com a qual tem maior proximidade ideológica e que foi mais beneficiada com a derrubada da tarifa.

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