Cenário: Evangélicos estão no espaço recusado pelos partidos

BRASÍLIA - O desinteresse dos partidos políticos brasileiros pelo debate sobre direitos humanos é a principal causa da crise surgida na Câmara, desde que o comando da respectiva comissão foi parar nas mãos de um polêmico pastor evangélico. A comissão foi a penúltima escolhida pelos líderes - atrás dela, na fila, só ficou o conselho que discute Legislação Participativa, também pouco disputado entre as siglas.

Eduardo Bresciani, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2013 | 02h08

Antes de o PSC optar pela Comissão de Direitos Humanos, o PT - que tem comandado alguns dos protestos contra Feliciano - escolheu para si outros três colegiados: Constituição e Justiça, Seguridade Social e Família e Relações Exteriores. O PC do B, por sua vez, preferiu a recém-criada Comissão de Cultura. Direitos Humanos não constava na lista de nenhuma dessas siglas.

Para escolher os cargos, os partidos têm usado como critérios principais a relação com ministérios, a repercussão dos assuntos entre financiadores de campanha e a visibilidade que os temas alcançam no eleitorado. Como a Comissão de Direitos Humanos não atrai recursos e tem uma atividade mais voltada para o campo de debates do que para políticas efetivas, ela deixou de ser prioridade para os partidos ao longo dos anos.

Líderes partidários relatam dificuldades até para preencher os cargos na comissão. Na composição atual, PMDB, PSDB, DEM, PP e PTB, por exemplo, não têm nenhum integrante entre os titulares. Mesmo parlamentares com histórico na área têm procurado mais visibilidade em outras comissões. A deputada Luiza Erundina (PSB-SP) pediu para ser titular do colegiado que discute Ciência e Tecnologia, ficando apenas com a suplência na Comissão de Direitos Humanos.

O desinteresse pelo tema serviu como oportunidade para deputados evangélicos, interessados em restringir o espaço dado na Casa a debates como o casamento entre homossexuais e a legalização do aborto. Nos corredores, repetem como mantra a sentença: "Em política não existe espaço vazio".

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