Cenário: Antecipação atende a PT e do PSDB, mas expõe candidatos

A antecipação do debate sobre a eleição presidencial de 2014 atende a necessidades políticas tanto de petistas quanto de tucanos.

Fernando Gallo e Julia Duailibi, de O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2013 | 02h10

Ao lançar a candidatura de Dilma Rousseff à reeleição na semana passada, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha um objetivo direto e outros dois adjacentes. O primeiro era acabar com as especulações de que seria ele próprio o candidato petista. Os outros dois eram tirar Dilma e o PT da agenda negativa na área econômica e em relação ao mensalão, além de sinalizar para os partidos da base aliada que, embora o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) ensaie um voo solo, o "campo de esquerda" já tem uma "candidatura robusta", que é a da presidente.

Setores do PT discordam da estratégia sob o argumento de que a antecipação favorece as outras candidaturas - entre os defensores dessa tese está um antigo articulador político petista, o ex-ministro José Dirceu, condenado no julgamento do mensalão.

Para o PSDB, a antecipação segue a tentativa de dar maior projeção nacional ao senador Aécio Neves, pré-candidato do partido ao Palácio do Planalto. No plano traçado, Aécio também tem de intensificar o discurso oposicionista, mesmo relutando em dizer publicamente que é, de fato, o concorrente de Dilma. O senador avalia que vestir o figurino de candidato a mais de um ano e meio da eleição pode causar desgaste, inclusive com potenciais partidos aliados. Mas, pressionado pela direção do partido e pelo próprio ex-presidente Fernando Henrique para ser o líder da oposição, ele começou a buscar holofotes.

Enquanto Aécio afina o discurso oposicionista, FHC intensifica a retórica antipetista em nome do projeto presidencial tucano. "Fernando Henrique assumiu a paternidade da campanha de Aécio. Acho bom para ele", afirmou o senador Álvaro Dias (PR). Para o ex-governador Alberto Goldman (SP), o partido não deve antecipar a disputa de 2014. "Mas temos de responder às aberrações", afirmou sobre as declarações de FHC sobre a presidente Dilma Rousseff - ontem, o ex-presidente chegou a dizer que a petista era "ingrata" ao afirmar que não herdou "nada" da gestão tucana. "O debate eleitoral se dará no ano que vem, quando vamos discutir o futuro, não o passado", completou Goldman.

A antecipação do debate eleitoral também é vista com ressalvas por parte do PSDB, principalmente o setor paulista ligado a José Serra. Para eles, a antecipação cristaliza a candidatura de Aécio, sem deixar margem para uma eventual disputa interna pelo posto.

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