CENÁRIO: Alckmin e Doria mantêm estruturas separadas no Estado

Em condições normais, seria natural que candidatos ao governo e Presidência da República do mesmo partido agissem em total sintonia no maior colégio eleitoral do País

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2018 | 05h00

As campanhas de João Doria e Geraldo Alckmin estão operando em São Paulo com estruturas separadas de produção de vídeo e logística. Houve há cerca de dois meses uma tentativa frustrada de integrar a operação dos dois tucanos, o que reduziria custos de produção e afinaria a narrativa local e nacional. 

Em condições normais, seria natural que candidatos ao governo e Presidência da República do mesmo partido agissem em total sintonia no maior colégio eleitoral do País. 

A aproximação, porém, esbarrou na animosidade e desconfiança que marcam a relação entre auxiliares de Alckmin e Doria.

O marqueteiro do ex-prefeito é o publicitário Nelson Biondi. Veterano do marketing político, Biondi coordenou a bem sucedida campanha à reeleição de Alckmin ao governo paulista, em 2014, quando ele venceu ainda no primeiro turno.

Biondi sonhava fazer com o presidenciável tucano sua última campanha nacional, mas foi descartado do time.

No ano seguinte, desentendimentos entre ele e auxiliares de Alckmin afastaram, pouco a pouco, o marqueteiro da ala residencial do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

Quando as primeiras tratativas para montar a estrutura eleitoral do ex-governador foram feitas no ano passado, o escolhido por Alckmin para comandar sua comunicação foi o marqueteiro Lula Guimarães, o mesmo que em 2016 elegeu Doria para a Prefeitura de São Paulo no primeiro turno.

Metódico e rico, Doria montou em São Paulo uma estrutura de campanha azeitada e muito mais sofisticada que a de Alckmin.

O ex-governador demorou para estruturar sua equipe e dividir tarefas. 

Só assumiu de vez a campanha após deixar o cargo, em abril. Quando isso ocorreu, a campanha do ex-prefeito já tinha uma dinâmica própria e atenção prioritária do diretório estadual do PSDB.

A relação direta entre Doria e Alckmin também sofreu desgastes profundos no ano passado devido às movimentações nacionais do Prefeito de São Paulo. Durante o período de pré-campanha, a interação entre eles foi protocolar e fria.

Com o início oficial da campanha, interlocutores de Doria e Alckmin ensaiaram reunir pelo menos a produção de vídeo na mesma produtora. A saída encontrada foi padronizar os materiais de campanha em São Paulo. Todos os santinhos de Doria e dos candidatos a deputado da coligação terão a foto de Alckmin.

Não há, entretanto, expectativa de que Alckmin tenha destaque no horário eleitoral de Doria, e vice-versa. No sábado, padrinho e afilhado subirão pela primeira no mesmo palanque, em São Bernardo do Campo.

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