Cautela e muitos candidatos tornam debate morno em São Paulo

Troca de farpas foi leve e Boris Casoy não precisou intervir; Marta criticou Kassab, que atirou em Alckmin

Daniel Ferreira Galvão, da Agência Estado, e Carme,

01 de agosto de 2008 | 10h24

Mesmo com os confrontos entre os principais candidatos, o debate da TV Bandeirantes, realizado na noite de quinta-feira, foi morno e comportado. Para os principais assessores dos políticos, que acompanharam o programa no auditório da emissora, o resultado é fruto do excesso de participantes e da cautela. "Eles ainda não se conhecem, por isso são cautelosos", disse José Américo, jornalista e presidente do PT municipal.  O número elevado de debatedores - oito candidatos dos onze que estão na disputa - foi apontado pelo presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, como um empecilho para a discussão. "É difícil você ter uma discussão mais intensa e mais esclarecedora com a presença de muitos candidatos", disse. "Você começa uma discussão e não encaixa, porque logo surge uma lá na frente e depois outra".  A coisa foi tão tranqüila que o mediador Boris Casoy não precisou intervir uma única vez. Paulo Maluf (PP) foi o único a pedir direito de resposta e, mesmo não sendo atendido, não reclamou.   Veja também:Em debate na TV, Marta prega união com Serra, e Kassab se diz parceiro de LulaOpine: Quem se saiu melhor no debate? BH: Candidato de Aécio e Pimentel chega na última hora Porto Alegre: Provocações à esquerda e à direita Curitiba: Administração de Richa vira alvo Kassab provoca Marta e desafia: 'Quem criou mais taxas'? 'Educação na gestão Alckmin foi pior que a do Piauí', diz MalufMarta prega 'união' com Serra e Kassab se diz parceiro de Lula Kassab fala sobre 'fichas-sujas' e se defende de acusações Sem citar Marta, Kassab diz que 'faz corredor como se deve' Contra poluição de carros, Maluf quer 'freeway' nas marginais Conheça os candidatos nas principais capitais     Leve troca de farpas O primeiro debate ficou mais na troca de pequenas farpas e beirou a monotonia. A candidata Marta Suplicy (PT), ex-prefeita, tentou colar a própria imagem à do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem foi ministra do Turismo, e pediu o voto dos eleitores para voltar à Prefeitura. "Hoje, se não fosse o governo federal e o estadual, a Prefeitura não teria nenhuma iniciativa a não ser o Renda Mínima", disse Marta, que também afirmou que, se eleita, pretende fazer uma "parceria" com o governador José Serra (PSDB). O terceiro bloco foi o que teve mais divergências. O prefeito Gilberto Kassab (DEM), candidato à reeleição, escolheu Marta para alfinetar Alckmin. O prefeito perguntou à petista, em tom de provocação ao tucano: "O Alckmin não cuidou dos postos de saúde?" Marta disse que recebeu o sistema de saúde "falido" do ex-prefeito Celso Pitta. Kassab precisou defender-se de duas pedras no sapato: a inclusão do seu nome na lista de candidatos com "ficha suja" divulgada pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e a denúncia de que teria tentado manipular resultados da pesquisa do Instituto Datafolha. "Em relação à lista, trata-se de uma ação em que fui absolvido por unanimidade", afirmou. "Em relação às pesquisas eleitorais, quando são realizadas em época de eleição, grupos organizados tumultuam para que seja desvirtuado o resultado do ponto de vista negativo. Fiz com transparência e farei de novo se necessário", disse. O ex-prefeito Paulo Maluf (PP) lembrou as "grandes obras" que realizou e prometeu novas: a construção de grandes vias (freeways) sobre os Rios Pinheiro e Tietê para "desafogar" o trânsito da capital paulista. Mas também teve de se defender da inclusão do próprio nome na lista da AMB. O ex-governador Geraldo Alckmin, candidato do PSDB procurou relembrar o nome do ex-governador Mário Covas, de quem é afilhado político, ao elogiar o Projeto Qualis, da área de saúde. Mas incluiu em sua lista de saudosismo o nome da ex-primeira-dama do País Ruth Cardoso, que morreu este ano, ao lembrar que o PSDB completa 20 anos e que o partido "resgata sonhos" de Covas e dela.  Com a participação de oito dos 11 candidatos ao comando da maior cidade do País, o tempo foi "rasgado" durante boa parte do programa entre os candidatos chamados "nanicos", com pequena representação no Congresso. Como alguns deles "levantavam a bola" para candidatos melhor posicionados nas pesquisas, o confronto costumeiro dos debates foi frustrado. Ivan Valente (PSOL) e Sonia Francine (PPS) tentaram levar a discussão para outros temas, mas não tiveram muito sucesso. Torcida Na platéia do debate, toda formada por convidados dos candidatos, os representantes dos partidos e seus coligados se dividiam em blocos. Sérgio Guerra foi exceção e acabou sentando em meio à ala petista, mais precisamente ao lado do deputado estadual Adriano Diogo. Por isso, o número de flashes de fotógrafos foi grande por ali. Logo atrás dele, o deputado José Mentor (PT) ironizava: "Estamos aqui na retaguarda!"  Romeu Tuma, senador pelo PTB, ao se deparar com políticos do DEM exclamou: "Tenho inveja de não estar com esta turma". No ano passado, ele trocou o DEM pelo PTB, que agora está coligado ao PSDB de Alckmin.  Compunha os bastidores o empresário Oscar Maroni Filho, dono da boate Bahamas, fechada na administração Kassab. Ele é filiado ao PTdoB, que apóia o candidato Ciro Moura (PTC). Maroni, forte e corpulento, ensaiou uma discussão quando retornou a sua poltrona depois de um intervalo e encontrou um tucano em seu lugar. Percebendo a situação, um correligionário seu se levantou e Maroni se acomodou.  Desta vez, os militantes ficaram de fora da festa. Houve um acordo entre as coordenações das campanhas que impediu as torcidas de se manifestarem nos arredores da TV Bandeirantes, localizada no bairro do Morumbi, zona sul de São Paulo. O objetivo foi evitar eventuais conflitos.

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