Caso do ‘mensalinho baiano’ vira arma na TV contra petista

Líder na disputa na Bahia, o candidato Paulo Souto (DEM) usa denúncia para atingir Rui Costa (PT), que sobe nas pesquisas

Murilo Rodrigues Alves , ENVIADO ESPECIAL

30 de setembro de 2014 | 23h35

SALVADOR - Para liquidar a eleição no 1º turno e evitar a ascensão do petista Rui Costa, o candidato do DEM ao governo da Bahia, Paulo Souto, intensificou em sua campanha a utilização de uma denúncia de um suposto esquema de desvios de recursos públicos federais e estaduais que seriam destinados à construção de habitações populares para o financiamento de candidaturas do PT no Estado. 

A acusação, que vem sendo chamada de “mensalinho baiano”, tem dado o tom da campanha no Estado e tem sido o tema central da propaganda eleitoral na TV e assunto recorrente nos debates. Mas, por ora, sem obter o resultado almejado, segundo os trackings internos das campanhas. 

Nas últimas pesquisas, as intenções de voto de Paulo Souto, que lidera isolado a corrida pelo governo do Estado, têm oscilado para baixo enquanto Rui Costa vem subindo. Em levantamento do Ibope da semana passada, Souto tinha 43% das intenções de voto e Costa, 27%. Na pesquisa anterior, a distância era maior: 46% e 24%, respectivamente. 

No debate de segunda-feira promovido pela TV Record, Souto disse que o fato novo da denúncia “foi a relação com o Partido dos Trabalhadores”. Coube ao candidato Marcos Mendes (PSOL) fazer o contrapeso, lembrando de acusações de corrupção nos governos do PT e do DEM no Estado. “Um ficar acusando o outro, é como o sujo falando do mal lavado”, ironizou Mendes.

Nesta terça-feira, 30, em campanha de rua, o prefeito de Salvador, ACM Neto, fiador da campanha de Souto, disse tratar-se “de um caminho por demais conhecido, como o ‘mensalão’, que disseram ser uma invenção de Roberto Jefferson, e, após apuração, mandou muitos companheiros de Jaques Wagner para a cadeia”, afirmou.

ONG. No “mensalinho baiano”, a delatora é Dalva Sele Paiva, ex-presidente da ONG Instituto Brasil de Preservação Ambiental. À revista Veja, ela afirmou que a entidade foi criada para ajudar a financiar campanhas eleitorais do PT na Bahia. O instituto recebia os recursos, simulava a prestação do serviço e repassava o dinheiro para candidatos do partido.

O caso é investigado pelo Ministério Público do Estado da Bahia desde 2010, quando surgiram as primeiras denúncias. Entre os beneficiados do suposto esquema, segundo a reportagem, estariam o candidato a governador Rui Costa (PT), o senador Walter Pinheiro (PT), o ex-ministro do Desenvolvimento Agrário Afonso Florence (PT) e o atual presidente da Embratur, Vicente José de Lima Neto. 

O PT diz que Dalva responde a 17 processos na Justiça e que o Instituto Brasil foi contratado também pelo governo de Paulo Souto em 2006. Quatro anos depois, segundo a campanha petista, o contrato com a ONG foi suspenso por Jaques Wagner. 

Justiça. O “mensalinho baiano” provoca disputa também na Justiça eleitoral baiana. A oposição reclamou na segunda-feira de “censura prévia” por parte do juiz Cláudio Cesare Braga Pereira, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA), que acatou mandado de segurança do PT para impedir exibição, no horário político, do escândalo do Instituto Brasil. 

Na segunda-feira mesmo, outro juiz, Wanderley Gomes, concedeu liminar que, na prática, revogou a sentença do seu colega, autorizando o DEM a tratar do assunto, desde que em outros programas. 

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