Casal 'tapioca-açaí' vai apostar fichas na 'esperança' de 2002

ANÁLISE:

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2014 | 02h05

A chapa de Eduardo Campos e Marina Silva vai usar o mote da "esperança" que tanto embalou a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto, em 2002, na disputa presidencial. A estratégia ficou evidente ontem, quando Marina foi apresentada oficialmente como vice, em aliança definida por ela como "casamento de tapioca com açaí".

O plano da dupla é centrar fogo na presidente Dilma Rousseff e no PT, mas poupar Lula. Campos e Marina batem na tecla de que uma alternativa é possível no Brasil para romper a "bipolaridade política" entre o PT e o PSDB e resgatar a "esperança".

A palavra foi usada na cerimônia de ontem em praticamente todos os discursos. Campos chegou até a ressuscitar a oposição entre a esperança e o medo, também presente na campanha petista de 2002. "É preciso acabar com esse terrorismo eleitoral de que se fulana perder, o Bolsa Família vai terminar", disse ele.

Em alguns momentos do ato, batizado pelo PSB e pela Rede de "político-cultural", os gritos de guerra também lembravam encontros do PT, só trocando os personagens. "Eduardo/Guerreiro/do Povo Brasileiro", berravam discípulos de Campos. "Brasil/Pra Frente/Eduardo presidente."

O desafio de Campos e Marina, agora, é superar as divergências para a montagem dos palanques nos Estados, conseguir mais apoio para aumentar o tempo de TV no horário eleitoral gratuito e "separar" Lula e Dilma na propaganda.

"Eu gosto muito do Lula. Nunca neguei isso em canto nenhum", disse Campos ao Estado. O ex-presidente, porém, já prometeu fazer campanha em Pernambuco por Dilma o mais rápido possível. O Palácio do Planalto quer mostrar que o sucesso da administração de Campos tem por trás recursos federais. "Me aguardem!", avisou Lula.

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